Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 27/07/2020

Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade harmônica, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, no Brasil, chama a atenção o grande número de adolescentes que consomem álcool e outras drogas, abrindo debate para os riscos desse comportamento. Nesse contexto, os dilemas que envolvem tal processo ocorrem, sobretudo, pela falta de políticas públicas eficazes e ausência de educação e debate sobre o tema.

Precipuamente, cabe destacar que o número de jovens consumindo drogas, tanto líticas quanto ilícitas cresceu consideravelmente. Nessa conjuntura, os motivos são muitos para que se tornem recorrentes tais casos, que vão desde o tédio até a rebeldia, podendo também ser considerada a forma romantizada que as mídias sociais e de entretenimento passam acerca desse assunto. Sob esse prisma, pode-se citar as diversas vezes em que fumar, beber e usar as mais variadas drogas são apresentadas de forma legal e atraente em filmes e séries televisas, muitas vezes influenciando diretamente o comportamento de jovens. Por conseguinte, todo o contexto traz consequências, segundo o Centro de Referência Estadual em Álcool e Drogas revela que a maioria dos quadros de dependência química iniciam ainda na juventude.

Ademais, delineia-se oportuno salientar que existe tabu no debate sobre drogas e suas consequências, principalmente por parte da família. Nesse panorama, ao não desenvolver uma conversação saudável os jovens ficão expostos aos riscos dessa questão, que por ser pouco explorada abre espaço para a idealização de que mais do que normal, é comum e aceitável tal postura. Nesse sentido, os riscos são queda no rendimento escolar, mau desenvolvimento de memória, possível dependência química no futuro, falta de senso crítico, aumento de problemas na saúde emocional, entre outros. Sob esse viés, Hannah Brandt na sua obra ‘‘Banalidade do Mal’’ afirma que quando ações antiéticas são praticadas rotineiramente, elas tendem a ocupar um espaço de normalidade. Logo, não deve-se deixar que tal assunto ocupe estado de normalidade dadas as sérias consequências.

Portanto, em vista dos fatos supracitados, medidas exequíveis são necessárias. À vista disso, o Ministério da Educação deve aumentar o alcance do debate sobre as drogas e torna-lo mais eficaz. Isso pode ser feito com debates realizados em escolas e universidades pelo corpo educacional, alertando as problemáticas de tal comportamento e aguçando o senso crítico para o consumo consciente e dentro dos parâmetros legais. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover campanhas em parceria com as mídias de rádio, tv e internet com uma abordagem incentivadora para a família e sociedade discutir a necessidade de se combater o consumo de drogas e sérias suas consequências.