Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 25/10/2019

Bebida alcoólica. Narguille. Cigarro eletrônico. Esses são exemplos que ilustram como é o consumo de drogas entre jovens na sociedade brasileira, uma vez que esse problema tem persistido. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de racionalidade, a nível pessoal, e do silenciamento, a nível social.

Em primeira análise, a lacuna de um pensamento racional mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Segundo Hegel, um dos filósofos mais importantes da história, a razão rege o mundo. No entanto, verifica-se uma atuação da irracionalidade na questão do consumo de drogas entre jovens, que, muitas vezes, tomam decisões baseados em critérios alheios ao pensamento racional ou ao planejamento a longo prazo, como a busca por prazeres imediatos ou o desejo de serem aceitos no grupo. Assim, sem a presença de uma lógica que permita tomar decisões de bom senso, esse problema tem sua intervenção dificultada.

Além disso, o consumo de drogas entre jovens encontra terra fértil no silenciamento. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como esse seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada em meios como escola, a mídia e a própria casa do jovem, lugares onde o diálogo é escasso e, quando ocorre, se dá por meio da linguagem autoritária, na maioria das vezes. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo de forma empática amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre consumo de drogas entre jovens no próprio ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, não devem limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao tema e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções. Em suma, é preciso que aja sobre o problema, pois, como defendeu Simone Bevouir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”.