Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Os anos entre a adolescência e a juventude se caracterizam como uma fase da vida onde ocorre a transição da infância para o mundo adulto, marcada por intensas mudanças físicas, psicológicas e também sociais - o que acaba por vulnerabilizar o indivíduo. Nesse sentido, o longa-metragem estadunidense “Aos treze” (2003) retrata o início conturbado de tal período na vida de duas amigas, mostrando, dentre outras, a problemática das drogas. Da mesma maneira, na vida real, o uso dessas substâncias pelos jovens se coloca como uma questão preocupante a ser combatida, uma vez que pode acarretar tanto consequências fatais imediatas, quanto estabelecer comportamentos nocivos duradouros com implicações futuras para toda a sociedade.
Em primeira análise, é necessário alertar para os riscos a curto prazo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, desastres de trânsito são a segunda causa de morte de jovens em todo o mundo. A combinação entre o uso de drogas e a direção, que ocorre sobretudo após festas, é um fator de alto risco. Em 2006, um caso marcou o Brasil: cinco jovens faleceram num acidente automobilístico no Rio de Janeiro. A maioria estava alcoolizada, incluindo o motorista. Ademais, entre os perigos imediatos, estão ainda a overdose, a maior exposição ao risco de abuso sexual e a ocorrência de relações sexuais irresponsáveis sem uso de preservativos - o que está diretamente ligado à gravidez indesejada e à proliferação de doenças sexualmente transmissíveis.
Outrossim, visto que na juventude se estabelecem hábitos que são levados para a toda a vida, se faz preciso chamar atenção para os efeitos a longo prazo. O uso contínuo de drogas, mesmo as lícitas, é categoricamente prejudicial à saúde: o cigarro e o álcool estão associados ao desenvolvimento de uma série de doenças graves, como câncer, cirrose e cardiopatias. Além disso, outra complicação crônica é a dependência química, problema sério de saúde pública no Brasil - que se relaciona, ainda, com outras problemáticas sociais, como o desemprego e a violência.
Portanto, infere-se que o contato precoce com drogas lícitas e ilícitas traz prejuízos para toda a sociedade, necessitando ser veementemente enfrentado. Logo, urge um comportamento ativo do poder público com a adoção de medidas preventivas. Para tal, o Estado deve proibir qualquer tipo de publicidade referente a bebidas alcoólicas, medida já tomada em relação ao cigarro, para que o consumo não seja mais estimulado. É, ainda, improtelável que o MEC garanta abordagem obrigatória do assunto nas escolas, tanto dentro de disciplinas como a Biologia e a Sociologia, quanto por meio de rodas de conversa com especialistas e ativistas de ONGS. Assim, por meio de um enfrentamento sério, é possível vislumbrar uma sociedade mais segura e saudável para os jovens brasileiros.