Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 10/11/2020

A série de televisão americana “Vikings” retrata uma sociedade medieval na qual está presente a cultura do consumo de bebidas alcoólicas desde as idades iniciais. De modo análogo, a sociedade jovem brasileira está cada vez mais marcada pelo consumo precoce de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas. Nesse cenário, o fácil acesso e a trivialização de entorpecentes, somados à livre propaganda, corroboram para o aumento progressivo do número de jovens dependentes de substâncias no país, o que acarreta consequências negativas tanto na vida pessoal dos indivíduos, quanto no corpo social.

Diante disso, cabe analisar as diversas causas da dipsomania entre jovens, ou seja, o vício em bebida alcoólica. Sob tal ótica, a banalização do consumo de álcool ou uso do cigarro dentro das famílias leva o jovem a crer que é comum repetir o mesmo comportamento e, portanto, estão mais propensos a adotarem a ingestão de álcool ou fumarem cada vez mais cedo, assim, enfatizando Émile Durkheim, que afirma ser o homem um produto do meio em que vive. Além disso, produtos químicos podem atrapalhar o amadurecimento neurológico, causar alterações no desenvolvimento da personalidade e prejudicar funções, como memória e atenção, com impacto direto sobre o desempenho escolar.

Ademais, as propagandas reafirmam o imaginário de que bebidas e certos fumos não são drogas, ou são drogas “leves” e que por ser lícita não prejudica a vida, pelo contrário traz benefícios. É essa visão que grande parte dos jovens brasileiros têm das substâncias toxicológicas . Isso, portanto, faz com que alguns busquem refúgio por meio do licor ou de drogas analgésicas, acreditando que o estado de “anestesia” e de “descontração” temporários os ajudará a se distraírem e até se esquivarem das dores e dificuldades da vida, que tendem a exigir cada vez mais deles, à medida em que se aproximam da idade adulta.

Assim, um grande desafio no Brasil, atualmente, é controlar o uso de alucinógenos superando a banalização e a ilusão de suas possíveis vantagens, além dos problemas de saúde. Para tanto, o governo, junto ao Ministério da Saúde, deve controlar a associação do álcool com sucesso em propagandas, pelo contrário, expor as complicações cognitivas e motoras que ele causa no corpo do indivíduo, com o objetivo de conscientizar a população do risco de embriagar-se. Além disso, a família é responsável por refletir sobre a disponibilização de etílicos aos menores de idade em festas e encontros familiares e, por meio de diálogos, discutir acontecimentos em novelas, filmes e séries, que falam sobre a prevenção do uso de álcool e outras drogas, a fim de criar jovens livres de vícios. Desse modo, será possível distanciar o enredo apresentado na série da realidade da juventude brasileira.