Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 24/08/2020
Na série catalã “Merlí”, produzida pela Netflix, um grupo de adolescentes promove uma festa e o jovem de apenas 16 anos, Joan Capdevila, bebe exageradamente e acaba sendo internado por coma alcoólico. Futuramente, Gerard, amigo de Joan, começa a fumar maconha, sofre um surto psicótico e também precisa ser internado. Fora da ficção, é fato que a fase da adolescência é um período caracterizado pela curiosidade e impulsividade, e é onde também comumente ocorre a experimentação de substâncias legais e ilegais. Tal questão torna-se preocupante uma vez que o consumo em estágio de desenvolvimento acarreta graves danos mentais e sociais. Logo, faz-se importante uma análise dessa problemática com mais afinco.
Nesse contexto, é necessário salientar que de acordo com uma recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia, cerca de 70% dos adolescentes já ingeriram bebida alcoólica, uma estatística alarmante visto que o consumo precoce pode potencializar a possibilidade do jovem se tornar depende químico, desenvolver transtornos psíquicos e apresentar vulnerabilidade social. Além de impactar seriamente no organismo imaturo. Ademais, os índices brasileiros de violência relacionados às drogas expõem seu potencial de devastação relacionado com mortalidade e acidentes, desse modo, seu uso apresenta elevados prejuízos sociais. Assim, torna-se fundamental a mudança de comportamento da coletividade.
Outrossim, ressalta-se que a falta de diálogo entre pais e filhos em consonância com a cultura de valorização de bebidas alcoólicas contribuem para o agravamento desse fenômeno nocivo. Afinal, de acordo com o filósofo Rousseau, o ser humano é um produto do ambiente em que vive. Sob esse aspecto, o incentivo dos amigos, o fácil acesso, a exposição e a exaltação do consumo de álcool e a ausência dos familiares respaldam e encorajam a ingestão de entorpecentes precocemente e, por vezes, de maneira excessiva. É preciso, portanto, um novo posicionamento das autoridades diante do problema.
Em suma, medidas são fundamentais para resolver o impasse. Logo, é dever do Ministério da Educação — órgão responsável por todo o sistema de educação no Brasil, desde o infantil ao profissional — realizar palestras mensais nas escolas que informem sobre os malefícios, a curto e longo prazo, do uso de drogas legais e ilegais. Isso deverá ser feito por meio de estudantes da área da saúde com o fito de reduzir o consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens brasileiros. É preciso, ainda, que a mídia — haja vista seu alto e rápido fluxo de informações — deixe de propagar o uso de bebidas alcoólicas como algo louvável e natural.