Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 18/08/2020
A Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, garante, em suas disposições, o resguardo à juventude. No entanto, apesar de tal garantia, o que se percebe, hodiernamente, é a não aplicação desse direito na prática, visto que a estreita relação dos jovens com o álcool causam graves sequelas nas suas vidas e no rumo da sociedade. Com efeito, essa questão se sustenta pela falta de estrutura educacional proporcionada pelo Estado e a infesta influência midiática que impera no país.
É fulcral pontuar, a princípio, que a educação dos jovens é negligenciada pelo Poder Público e isso faz com que o problema perdure. Nesse sentido, Paulo Freire afirmou que “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sobre isso, o autor afirma que a educação é pilar indispensável na base de formação de cada indivíduo, uma vez que ela atua na concepção de vida e nas escolhas que irão tomar. Desse modo, quando se compara a ligação dos jovens e o consumo de bebidas alcoólicas, percebe-se que há uma enorme lacuna educacional, que pode ser provada pelas estatísticas oficiais, como as do IBGE, em que mostrou, em 2019, o primeiro contato dos mais novos com o álcool se deu aos 12 anos de idade. De posse dessa constatação, nota-se que uma mudança nesse quadro é necessária para que se possa combater o revés na sua base não permitindo sua perpetuação.
Similarmente, tem-se a má influência midiática como fator coadjuvante do impasse. Segundo Theodor Adorno, célebre filósofo da Escola de Frankfurt, “O controle remoto tornou-se a principal bússola para a vida das pessoas”. Atualmente, o “controle remoto” ainda se faz presente, mas com a expansão da internet, a atuação das mídias tomou proporções jamais imaginadas e sua influência ainda mais poderosa. O que se percebe, no entanto, é que em relação aos jovens e a ingestão de álcool é usualmente negativa e seus efeitos, como os altos índices de mortes e acidentes de trânsito, a gravidez precoce, a evasão escolar e como resultância desse ultimo, a mão de obra desqualificada, recaem sobre o corpo social e evidenciam um cenário desafiador no presente.
Portanto, medidas são necessárias para combater a problemática. O Ministério da Educação deve propor ao Congresso Nacional, uma reforma escolar, por meio de um projeto educacional, que transforme a percepção dos jovens sobre assuntos como o álcool e seus efeitos no século XXI. Tal reforma deve conter uma mudança na grade curricular, englobando matérias de cunho social, como ética, política e cidadania para preparar o aluno não somente para a universidade, mas também para a vida em sociedade. Dessa forma, o Brasil, país democrático e de direito, garantirá a cidadania a todos os cidadãos e o consumo de álcool e drogas deixará de ser um problema contemporâneo para a nacão.