Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/09/2020

No seriado espanhol ‘‘Elite’’, a adolescente Lucrécia realiza um homicídio após ingerir bebidas alcoólicas. Fora da ficção, o aumento do consumo de drogas lícitas entre os jovens, relacionado com a falta de fiscalização adequada em estabelecimentos de distribuição e indiferença social em relação à ingestão dessas substâncias, contribui com o acentuamento do número de mortes entre jovens. Desse modo, é papel do Estado garantir a redução do consumo dessas substâncias por jovens.

Em primeiro lugar, é necessário avaliar como é realizada a fiscalização em locais de distribuição de drogas lícitas. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é proibido vender ou oferecer bebidas alcoólicas para menores de 18 anos. Entretanto, diversos estabelecimentos comercializam com adolescentes, uma vez que não exigem documentos de identificação, tornando possível a compra de bebidas por esses indivíduos. Logo, a negligência estatal na realização de fiscalizações eficazes torna favorável a difusão dessas substâncias entre os jovens, dificultando a realização de medidas capazes de diminuir seu consumo.

Em segundo lugar, é relevante examinar a indiferença social em relação ao consumo de drogas lícitas por adolescentes. Em consonância com o pensamento da filósofa judia Hannah Arendt, pode-se considerar que o consumo dessas substâncias foi banalizado em nossa sociedade, de modo que os indivíduos não se atentam às consequências que a ingestão precoce dessas drogas pode ocasionar. Todavia, índices disponibilizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que acidentes automobilísticos associados ao álcool são a principal causa de morte entre jovens de 16 a 20 anos. Contata-se, assim, o mal banalizado em nossa sociedade, conforme defendido por Hannah Arendt.          Portanto, fica evidente a necessidade de combater o consumo de drogas lícitas por adolescentes. Para tanto, é dever do Poder Executivo realizar fiscalizações eficientes, por meio da realização de forças-tarefas, contando com o apoio de conselheiros tutelares voluntários, com o intuito de diminuir a difusão dessas drogas. Por meio também, da abordagem temática em centros comunitários, com o objetivo de evidenciar as consequências geradas por um consumo precoce dessas substâncias.