Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 20/09/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora à questão do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil. Uma vez que, por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os esforços destinados para resolvê-la. Dito isso, vale enfatizar as causas e consequências dessa problemática, que estão relacionadas à naturalização do consumo de drogas e ao descaso estatal.
A princípio, acentua-se a naturalização do consumo de drogas lícitas por jovens como uma das principais causas do problema. De acordo com o teórico Hippolyte Taine, o homem é produto do meio, raça e momento histórico em que vive. Assim, lembra-se de filmes e séries os quais mostram menores de idade consumindo, na maioria das vezes, álcool e cigarro como se fosse algo cotidiano e natural, consequentemente, incentivando os jovens a fazerem o mesmo.
Além disso, destaca-se o descaso do Estado como agravante da questão. Consoante ao sociólogo alemão Dahrendorf, em seu livro “A lei e a ordem”, anomia é o estado no qual as normas que regulam o comportamento das pessoas perde a sua validade. Dessa forma, percebe-se que leis as quais fiscalizam o consumo de drogas por menores de idade se encontram em estado de anomia, visto que, são infringidas muitas vezes sem qualquer punição ao infrator.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para atenuar o quadro atual. Urge que o Ministério da Justiça (MJ) se una ao Ministério das Comunicações com o intuito de criar e executar leis que proíbam a naturalização midiática do consumo de drogas por menores. Também, é necessário que o MJ tire as leis de combate as drogas de seu estado de anomia. Somente assim, será possível erradicar tal escândalo.