Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 22/10/2020
No filme “Projeto X: uma festa fora de controle” diversos jovens se submetem ao uso descontrolado de substâncias alucinógenas, configurando apologia a esse estilo de vida. Analogamente, no Brasil, a falta de fiscalização do acesso à substâncias ilícitas e a negligência com a conscientização de crianças e jovens sobre o uso de álcool e de drogas favorecem o contato precoce e desmedido a esses produtos. É imprescindível, portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os impasses existentes para a promoção de uma juventude saudável sejam sanados.
A priori, pode-se apontar a permeabilidade fronteiriça no Brasil e a negligente fiscalização interna como causas para a entrada e distribuição de drogas e álcool no país.Dessarte, a frase da escritora francesa, Françoise Héritier, acerca de o mal iniciar com a indiferença e resignação é consolidada, visto que o acesso dos jovens aos produtos alucinógenos é facilitado diante da fronteira com quantidades insuficientes de membros do Exército, o que facilita a entrada de drogas, e do controle interno desprovido de funcionários estatais altamente qualificados e responsáveis para o combate ao tráfico e consumo de álcool por menores de idade.Por conseguinte, programas como PROERD (Programa Educacional de Resistências às Drogas e à Violência) são ridicularizados frente à normalização do acesso e uso dessas substâncias desde a primeira infância.
A posteriori,convém ressaltar a displicência estatal com o (ECA) Estatuto da Criança e do Adolescente como agravante para esse cenário.Dessa forma ,a ideia de Sêneca sobre a educação influir sobre toda a vida se faz verdadeira, à medida que a ausência de aulas no Ensino Fundamental e Médio sobre o perigo do uso de entorpecentes para a saúde - como a destruição do fígado e dos neurônios - contribui para que as crianças e adolescentes cresçam inconscientes sobre a prática.Assim, esse público é, conforme os estímulos sociais acontecem - como festas - induzido ao vício em álcool e em drogas.Com isso, a infância e a adolescência saudáveis são asseguradas apenas no ECA.
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes. Cabe, portanto, respectivamente, ao Ministério da Educação, a redefinição da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) acrescentando a obrigatoriedade do estudo dos efeitos dos entorpecentes para o corpo, mediante o envio de uma Proposta de Lei para o Congresso Federal, a fim de que as crianças e jovens reconheçam os riscos para os usuários dessas substâncias e sintam-se inibidas a usá-las; e ao Ministério Público Federal, a abertura de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que estabeleça prisão perpétua aos traficantes e vendedores de álcool para menores, além do remanejo e treinamento de fiscais internos e externos de drogas. Assim, uma juventude saudável será assegurada.