Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/10/2020

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece críticas aos comportamentos viciosos do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demostra as mesmas conotações no que se refere a persistência do consumo de drogas entre os jovens, visto que, mesmo apresentando graves riscos para a saúde, o problema continua a se perpetuar como um ciclo vicioso. Dessa forma, é preciso discutir que esse caótico cenário espelha não só a falta de diálogo sobre tal impasse, como também a priorização de interesses financeiros.

Primeiramente, a falta de debate é o principal risco do aumento ao consumo de entorpecentes pelos jovens. Sob esse viés, o filósofo Habermas traz uma contribuição importante ao afirmar que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nesse sentindo, para que problemas com o uso de drogas por adolescentes seja resolvido, faz-se necessário um amplo dialogo sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada no social, dado que a maioria das escolas e grandes mídias não abordam o tema de maneira eficaz, ou seja, que contribui efetivamente para que os jovem repensem os reais riscos que esse comportamento irracional pode causar em suas vidas. Assim, sem um debate claro e informativo essa situação não mudará.

Em segundo plano, outro agravante desse panorama desafiador é a priorização de interesses financeiros. A respeito disso, o filósofo Marx fez duras criticas a sociedade capitalista ao declarar que para essa a única intenção era o capital. Sob essa perspectiva, nota-se a primazia do lucro no que tange ao consumo de drogas por jovens, uma vez que, mesmo existindo leis que impeçam a venda de entorpecentes para menores de 18 anos, há indivíduos que vendem esses produtos para adolescentes visando antes de tudo o capital. Logo, essa situação representa não só um irrespeiro colossal com a saúde dos jovens, mas também a infração das leis que regem o país.

Portanto, com a finalidade de ampliar os debates sobre esse complexo contexto e, assim, fazer valer as regras do país, urge que as escolas, em parceria com as prefeituras, promovam um espaço para rodas debates sobre os riscos que o consumo de drogas podem causar na vida dos adolescentes. Para isso, tal ação deve sem feita por meio de conversas interativas com a participação de professores e convidados especialistas no combate a esse problema. Ademais, para reforçar a ação os eventos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à toda comunidade. Somente assim, o Brasil não retratará os comportamentos viciosos do século XVI.