Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 20/11/2020
Segundo o filósofo grego Platão, “A qualidade de vida é tão importante que supera a própria existência”. Contudo, ao analisar-se o cenário brasileiro, pode-se perceber que o pensamento do filósofo não é efetivado, uma vez que a qualidade de vida de uma grande parcela da população é prejudicada pelo consumo de álcool e de outras drogas. Esse problema é grave, pois é decorrente da ineficácia estatal, aliada à falta de diálogo sobre o assunto nas famílias brasileiras.
Antes de tudo, é válido destacar que, conforme a Constituição brasileira, a saúde é um direito de todos os cidadãos e dever do Estado. Assim, é possível afirmar que a inércia governamental é um fator determinante para a perpetuação da problemática. Consoante a isso, o pensador polonês Zygmunt Bauman afirmava que é dever do Estado garantir o bem-estar de seus indivíduos. Sob essa óptica, pode-se compreender que a falta de políticas públicas que visam conscientizar os jovens sobre os ricos que a ingestão de álcool e drogas podem trazer à saúde é um grande contribuinte para o problema, visto que, sem informações e conhecimento sobre os riscos, esses indivíduos continuam a consumir cada vez mais, o que gera a não consumação do pensamento de Platão.
Outrossim, a falta de discussão sobre a ingestão de entorpecentes e bebidas alcoólicas nas famílias brasileira é outro agravante para a situação. Paralelo a isso, o sociólogo Emile Durkheim afirmava que é na infância que os indivíduos passam pelo processo de socialização, ou seja, aprendem os valores éticos e morais da sociedade. Desse modo, a ausência de diálogo faz com que os jovens cresçam sem ter o devido aconselhamento sobre os males ocasionados pelo uso de álcool e drogas, o que contribui para o progressivo aumento da ingestão dessas substâncias e, por conseguinte, dos problemas de saúde ocasionados por elas. Tal afirmação pode ser comprovada pelos dados divulgados, em 2017, pela Sociedade Brasileira de Pediatria, os quais mostram que a ingestão precoce de álcool é a primeira causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos.
Diante do exposto, o governo federal, responsável pela administração das questões que afetam todo o país, deve, por meio de parcerias com as emissoras difusoras de conteúdo, criar campanhas nos meios de comunicação, rádio e televisão, sobre os riscos que o consumo de álcool e drogas trazem aos indivíduos e a importância do diálogo sobre o assunto nos lares brasileiros, a fim de diminuir o consumo dessas substâncias e garantir a concretização do direito constitucional à saúde. Além disso, deve, por meio de parcerias com estados e municípios, aumentar a fiscalização sobre os estabelecimentos comerciais, com o fito de não só coibir a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, mas também efetivar o pensamento de Platão.