Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/11/2020

Na série de televisão “Elite”, é constantemente apresentado o consumo de drogas pelos personagens ainda na adolescência. Nesse mesmo universo, uma jovem personagem chamada Carla sofre uma overdose pelo uso excessivo de um produto ilícito. Fora da ficção, o panorama brasileiro se encontra em uma situação similar. Sendo assim, no que diz respeito aos riscos causados pelo consumo de drogas, lícitas e ilícitas, por jovens, seja pela insuficiência legislativa, seja pela busca de inserção em um grupo, percebe-se a configuração de um grande desafio. Logo, tal situação carece de um olhar mais crítico de enfrentamento.

Convém ressaltar, a princípio, que o Brasil possui leis que proíbem jovens menores de consumirem quaisquer tipos de droga, porém, essas leis não são sustentadas como deveriam. Referente a isso, o filósofo John Locke diz que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis”, ou seja, uma lei deve ser criada no intuito de funcionar para a humanidade e não para existirem só no papel. Dessa forma, é indubitável que a não aplicação das leis ou a falta de sua fiscalização, culminam no aumento de jovens usuários dessas substâncias e consequentemente na elevação dos riscos atrelados ao problema.

Sob outra perspectiva, o alto risco do consumo de drogas pelos jovens encontra fertilidade nas terras da busca pela inserção em grupos. Isso acontece porque, o jovem possui a necessidade de ser aceito pela sociedade, principalmente pela bolha social em que vive, nesse caso, os grupos compostos por outros adolescentes. Analogamente, o filósofo e sociólogo Guy Debord, aborda em seu livro “Sociedade do espetáculo”, a situação em que pessoas fazem uma performance ao longo da vida para demonstrar perfeição aos outros indivíduos. Assim, é indubitável que essa ilusão é um obstáculo que influencia os jovens a se submeterem ao uso de drogas para serem aceitos.

Diante do exposto, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Governo Federal, instituição responsável por promover o bem comum, deve garantir o cumprimento das leis, por meio do aumento da verba no setor equivalente, aumentando o número de campanhas de conscientização e de fiscalizações em estabelecimentos que comercializam tais produtos. Cabe as famílias, que estão com os jovens na maior parte do tempo, dialogar e orientar sobre os riscos que acompanham o uso de entorpecentes. Tais medidas possuem a finalidade de minimizar os casos de jovens usuários de drogas. Só assim, personagens como a Carla, de “Elite”, deixarão de existir na realidade.