Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/01/2021

“Amy”, documentário dirigido por Asif Kapadia, relata as diferentes fases da vida da cantora Amy Winehouse. Nesse contexto, o longa expõe o precoce contato da artista com entorpecentes -ainda nos seus 17 anos- e sua posterior morte por overdose. Semelhante ao retratado, casos como esse estão presentes na realidade brasileira, que também é marcada pelo uso e banalização de drogas ainda na adolescência. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro, destacam-se a influência midiática, bem como a falha nas políticas públicas no controle dessa problemática.

Decerto, os canais de comunicação contribuem na adesão juvenil ao uso de alucinógenos, uma vez que circulam campanhas publicitárias voltadas para tal público e que contêm a presença dessas substâncias. De maneira análoga a esse cenário, a série “Euphoria”, disponível na plataforma HBO, mostra a vida de um grupo de adolescentes e, constantemente, expõe o uso de bebidas pelos mesmos. Diante disso, a normatividade presente no seriado, no que diz respeito ao consumo de drogas lícitas, é fator preponderante na adesão de jovens telespectadores, pois como o senso crítico desses indivíduos ainda está em formação e a noção dos danos causados por tais substâncias nem sempre é analisada. Dessa forma, na busca por aceitação social, o consumo de drogas se mostra cada vez mais precoce.

Paralelo a isso, têm-se o fracasso dos projetos estatais de controle a essa problemática. Sob tal ótica, o Levantamento Nacional sobre os padrões e consumo de álcool na população brasileira revela que a introdução de bebidas se inicia por volta dos 12 anos de idade. Apesar disso, percebe-se que as políticas públicas atuais pouco atuam na disseminação de ações profiláticas e na reinserção do usuário de entorpecentes, mas que estão, principalmente, voltadas para o combate ao tráfico. Nesse viés, a chamada “guerra às drogas” não trata especificamente dos danos causados aos jovens e, sem essa vigilância, a dependência total pode ser desenvolvida, como ocorreu para a “Amy”.

Destarte, frente a provectos fatores midiáticos e letargia estatal, o consumo de drogas lícitas na adolescência torna-se uma problemática que urge mudanças. Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima nos aspectos educacionais, deve adotar estratégias no tocante à influência midiática para a adesão desse hábito. Essa ação pode ser feita por meio da restrição de conteúdos que façam apologia ao uso de drogas em programas destinados ao menores, a fim de reduzir a normatividade intrínseca em tais ensaios e evitar a sugestão de uso aos adolescentes. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça adotar medidas voltadas à ações preventivas, como palestras e simpósios, e ao cuidado do usuário, com o fito de aumentar a efetividade do controle de tal mazela. Somente assim, o cenário presenciado em “Euphoria” não será mais visto na sociedade tupiniquim.