Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 25/02/2021
Em um de seus poemas, o escritor Carlos Drummond de Andrade cita: “no meio do caminho tinha uma pedra”, frase que metaforiza os desafios para a convivência harmônica entre os cidadãos. Nesse sentido, tal proposição se enquadra na modernidade, uma vez que o aumento do consumo de drogas entre os jovens no Brasil é uma problemática a ser superada, atuando como barreira para o que o economista sueco Gunnar Myrdal define como “Welfare State”, isto é: Estado de bem-estar social. Dessa forma, faz-
-se necessário debater a influência do processo de socialização e do Governo sobre esse cenário, assim como propor ações governamentais para solucioná-lo.
Nessas circunstâncias, constata-se, que a sociedade brasileira é parte responsável pelo panorama supracitado. Com efeito, o sociólogo Peter Ludwig Berger, define a socialização como processo através do qual os indivíduos assimilam hábitos e valores característicos dos grupos aos quais estão inseridos. Posto isso, percebe-se que o consumo de drogas enraizados na sociedade brasileira nada mais é do que o produto da soberania da consciência coletiva, de caráter coercitivo, sobre a individual ao longo da transmissão histórica dos traços socioculturais nacionais. A consequência desse aumento é uma crescente onda de adolescentes presente no mundo das substâncias impróprias para a sua idade e das substâncias ilícitas, acarretando em casos extremos o abandono de escolas para a vida do crime.
Diante dessa perspectiva, considera-se, que, além da sociedade, o próprio Governo corrobora a acentuação dessa problemática. Com efeito, o filósofo Aristóteles em “Ética a Nicômaco”, defende que a finalidade da política é garantir o bem-estar dos cidadãos. Dito isso, nota-se que a atual conjuntura sociopolítica nacional destoa do pensamento aristotélico, pois a ausência de ímpeto governamental em fomentar políticas públicas voltadas para a redução do consumo de drogas entre os jovens impede a felicidade plena de partes dos brasileiros. O produto disso é a propagação da ideia de consumo de bebidas alcoólicas, cigarros e drogas ilícitas pelos mais novos dentro das escolas e nas festas.
É incontestável, portanto, a necessidade de instigar ações as quais alterem esse panorama. Sendo assim, é preciso que o Ministério da Educação, elabore projetos socioeducativos voltados para o esclarecimento dos riscos do consumo de drogas na adolescência. Tais medidas devem vigorar por meios de palestras e seminários, em escolas de nível fundamental e médio e por meio de propagandas esclarescedoras na televisão e na internet, com a finalidade de promover consciência social nas crianças adolescentes e adultos. Espera-se, dessa maneira transpor os obstáculos para a redução do consumo de entorpecentes entre os mais novos no Brasil e, por conseguinte, “remover do caminho umas da pedras” que impede o pleno exercício do Estado de bem-estar social proposto por Myrdal.