Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 27/07/2021

A Lei nº 13.106, homologada em 2015, promove uma alteração no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e passa a criminalizar a venda e a oferta de bebidas alcóolicas para indivíduos menores de 18 anos. No entanto, hodiernamente, tal norma se mostra insuficiente, haja vista que a sociedade brasileira apresenta um preocupante risco em relação ao aumento do consumo de álcool e outras drogas pelos jovens. Nesse sentido, é possível apontar os círculos de convivência social e familiar como fatores determinantes para a perpetuação da problemática.

Nesse viés, a necessidade da juventude de se encaixar e ser aceita pelo seu grupo de amigos estimula esses seres a se submeterem a circunstâncias — ingerir substâncias ilícitas e alcóolicas — inadequadas para sua faixa etária. A esse respeito, a série norte-americana “One Day at a Time”, para induzir seus telespectadores a uma reflexão, retrata em um episódio a relação de Alex, um personagem adolescente, com a maconha — entorpecente legalizado em alguns estados estadunidenses. Na produção, o protagonista relata à mãe que apenas faz o uso da droga, mesmo não gostando, para se divertir com seus colegas. Dessa maneira, a ficção produz um retrato fidedigno da conjuntura que muitos brasileiros menores de idade se encontram: um dilema social de consumirem drogas e álcool para não perder seus amigos e para não serem alvos de humilhação. Com efeito, enquanto os adolescentes sentirem essa pressão social, esse grave problema se manterá.

Outrossim, a baixa, e muitas vezes falha, atuação da família no combate ao aumento do consumo de substâncias maléficas ao organismo dos jovens precisa ser superada. Sob essa perspectiva, o sociólogo Talcott Parsons afirma que o núcleo familiar é uma máquina de produção das personalidades humanas. Dessa forma, ao não advertir e limitar tais condutas — beber e fumar — os familiares, mesmo que indiretamente, acabam consentindo com o comportamento dos adolescentes, levando-os a pressupor que suas ações são aceitáveis e, por isso, podem continuar ocorrendo. Por consequinte, o número de adeptos, ainda menores de 18 anos, aos entorpecentes ou ao álcool se eleva, uma vez que esse grupo não recebe instruções adequadas em seu ambiente familiar.

Portanto, o governo federal, em parceria com as escolas — ambiente que permite um contato mais acessível com essa parte específica da comunidade —, deve articular políticas públicas. Essas iniciativas aconteceriam por meio de rodas de conversas nas instituições de ensino, que serão mediadas por especialistas — como psicólogos e pediatras — e contarão com a participação dos adolescentes e de seus responsáveis. Tais intervenções terão a finalidade de mitigar a má influência da família sobre os jovens, assim como deles próprios sob seus amigos. Com isso, a lei será obedecida.