Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 16/06/2021
A Constituição de 1988, documento jurídico de maior importância do país, prevê, em seu sexto artigo, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o aumento da prática de alcoolismo entre os jovens no Brasil, seja pela carência estatal em fiscalizar a venda de bebidas para menores de 18 anos, seja pela alienação parental. Desse modo, faz-se necessária a ánalise dos fatores que favorecem esse quadro infeliz na sociedade brasileira.
Dessarte, é válido analisar a ineficiência governamental em controlar de maneira rígida e eficiente a venda de produtos alcoólicos para menores de idade. Nesse sentido, por não haver um orgão fiscalizador eficiente em lugares que vendem bebidas alcoólicas, sua comercialização se apresenta de maneira extremamente facilitada para os jovens, uma vez que os estabelecimentos visam, na maioria das vezes, o lucro em detrimento das leis vigentes, principalmente, por não serem devidamente fiscalizados e, consequentemente, punidos. Essa conjuntura, de acordo com os pensamentos de Thomas Hobbes, configura-se como uma violação do Pacto Social, já que o Estado não cumpre a função de garantir o bem-estar da população, o que infelizmente é evidente na sociedade brasileira.
Ademais, é importante ressaltar a alienação parental como impulsionadora do aumento da problemática a ser combatida. Nesse contexto, segundo Durkheim, fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de generalidade, coercitividade e exterioridade. À vista disso, o aumento do consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, se um adolescente vive em uma família com o costume de se alcoolizar frequentemente e de, sobretudo, ser conivente com o consumo de bebidas para maiores de 18 anos pelo jovem, ele tende a adotar esse mesmo comportamento da família, por conta da vivência em grupo. Desse modo, as condutas familiares, transmitidas de geração em geração, funcionam como forte base para o aumento do trágico quadro de alcoolismo entre os juvenis brasileiros.
Urge, portanto, que o aumento da prática de alcoolismo entre os jovens seja mitigada no Brasil. Dessa forma, cabe a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), orgão responsável pela fiscalização e regulamentação de bebidas para comercialização, em paralelo com o Poder Legislativo, por intermédio da criação de leis rígidas e concessão de verbas, melhorar a fiscalização dos estabelecimentos, bem como a repressão consistente deles em caso de infração, a fim de que, desse modo, seja possível por meios coercitivos e legais a diminuição da mercantilização de produtos com alcool para os adolescentes. Assim, o aumento do alcoolismo entre os jovens poderá ser mitigado.