Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 24/06/2021
Durante o imperialismo—política de expansão e dominação territorial, cultural e econômica de uma nação sobre outra—, ocorreram diversas alianças comerciais entre países. Sob tal ótica, cita-se a parceria entre Inglaterra e China com o comércio do ópio—droga de ação narcótica e hipnótica—, negócio que, posteriormente, foi interrompido pelo imperador Manchu devido à dependência causada pela droga à população chinesa. Analogamente, o uso de álcool e drogas pelos jovens brasileiros também carrega inúmeras problemáticas sociais. Nesse contexto, fatores como a lacuna comunicativa e o escapismo social devem ser analisados.
Em primeiro plano, é fulcral pontuar sobre o conceito de “tabu”, exposto pelo psicanalista Sigmund Freud. Nessa perspectiva, o autor debate sobre questões que, em sua normalidade, são pouco discutidas socialmente, pois carregam, culturalmente, uma carga de preconceitos historicamente enraizados. Nesse viés, a falha comunicativa no que concerne ao diálogo sobre o efeito do álcool e drogas favorecem intensamente a presença dessas substâncias entre o público jovem, pois sedentos de curiosidades, adentram e tendem a usar de modo abusivo e frequente. Logo, seja de modo individual— patologias associadas— seja de modo coletivo—acidentes e furtos em função do vício—, diversas pessoas são impactadas negativamente por esse problema de saúde hodierno.
Além disso, cabe destacar o discurso sobre a “Sociedade do Cansaço”, do filósofo Byung-Chul Han. De acordo com o autor, o século XXI é caracterizado pela cobrança social no que tange à alta e utópica produtividade, a qual os indivíduos carregam a obrigatoriedade do sucesso, o que gera uma auto exploração. Partindo dessa análise, a pressão exercida nesse contexto promove uma necessidade de escape, fazendo com que muitos indivíduos usufruam de drogas lícitas e ilícitas, de modo exagerado, a fim de fugir da realidade apresentada. Assim, prejuízos incalculáveis podem ser motivados, como adoecimento físico e psicológico,comportamentos violentos ou o óbito.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. Urge que o Ministério da Saúde e Educação promovam políticas antidrogas educativas, por intermédio de “workshops”, rodas de conversas e a presença frequente de psicólogos nas escolas— visto que diversos adolescentes possuem contato precoce com tais substâncias, com o fito de conscientizar os alunos desde cedo sobre o uso de drogas, desconstruindo a glamourização criada nesse contexto, além de expor filmes baseados em histórias reais, a fim de sensibilizar e promover a criticidade. Dessa forma, provocar-se-á avanços significativos no combate a esse problema social e o contexto do problema chinês não participará da realidade brasileira.