Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 03/07/2021
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 70% dos adolescentes que possuem entre 13 e 15 anos já experimentaram alguma bebida alcoólica. Assim, esse dado preocupante revela como o consumo desta droga lícita está se tornando cada vez mais comum nesta faixa etária. Isso tem ocorrido sobretudo pela pressão intragrupal e pela necessidade de aceitação, muito frequente na juventude, associadas à grande pressão atual por alto desempenho em diversos âmbitos da vida. Tendo isso em vista, o uso de álcool por jovens está fortemente relacionado à queda do desempenho escolar e ao prejuízo no desenvolvimento de habilidades diversas.
Nesse aspecto, viés de grupo, conceito da psicologia social, afirma que os indivíduos tendem a copiar o comportamento das pessoas do grupo do qual fazem parte para serem mais aceitos, e é comum que rejeitem aqueles que não aderem ao mesmo comportamento. Desse modo, o consumo de bebidas alcoólicas está muito relacionado à necessidade de inclusão e aceitação em grupos específicos, fortemente percebida entre os jovens. Além disso, é notório que a pressão por alto desempenho social, educacional e até mesmo físico – haja vista os presentes padrões de beleza impostos – é cada vez maior e mais grave, fazendo com que esta droga seja vista e usada como uma verdadeira “válvula de escape” a todas essas cobranças.
Dessa forma, de acordo com o psiquiatra e especialista em dependência química, Arthur Guerra, o consumo de álcool de forma precoce e descontrolada pode levar ao baixo rendimento escolar, pela dificuldade de concentração, prejuízos à memória e aumento do número de faltas, por exemplo, que está relacionado também à evasão. Ademais, por consistir em uma fase de transição entre infância e vida adulta, o desenvolvimento de habilidades cognitivo-comportamentais e emocionais pode ficar extremamente prejudicada, levando à sérios problemas futuros, como dificuldades de socialização.
Portanto, com o intuito de controlar o consumo exacerbado de álcool pela comunidade jovem e de conter os efeitos negativos desse consumo prematuro e irresponsável, é necessário que o Ministério da Saúde promova ações educativas sobre o tema com urgência. Nesse sentido, isso deve ser feito por meio de oficinas de discussão nas escolas, direcionadas a toda comunidade escolar, conduzidas por profissionais da saúde, como médicos, psicólogos e enfermeiros, que apresentem os riscos associados à ingestão de bebidas alcoólicas nesta fase de forma didática e simples. Para mais, o Min.da Saúde deve realizar parcerias com “influencers”, para que abordem o tema de forma mais informal, especialmente nas redes sociais, e gerem maior aceitação por parte dos jovens.