Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/07/2021

Consoante Hannah Aredent, filósofa alemã, em sua teoria sobre a banalidade do mal, afirma que uma atitude “agressiva” para de ser vista como errada quando ocorre constantemente. Partindo desse viés, é notório que o consumo de álcool e de drogas entre jovens encaixa-se na teoria da pensadora, uma vez que prejudica o fluxo harmônico do corpo social. Dessa forma, seja pela deturpada construção histórica, seja pela leniência estatal, esse imbróglio desafiador é vigente. Urge, assim, a necessidade de analisar e de buscar medidas para superar essa celeuma.

Nesse ínterim, a omissão social é fator determinante para manutenção dessa conjuntura. Sob essa égide, Michel Foucault, pensador francês, em sua teoria sobre a Microfísica do Poder, expõe que a normalização dos costumes parte de todas as instituições sociais. A partir desse pressuposto, é fundamental destacar a ausência parental, somada à midiatização do álcool e falta de conscientização, como fator catalisador dessa questão. Com efeito, a naturalização dessa conjuntura gera um círculo vicioso, uma vez que não há reflexão crítica por parte do contingente populacional. Logo, o contrato social é diluído e o tecido social entra em anomia.

Por outro lado, é fulcral pontuar a inoperância do poder público em cumprir seu papel de promotor do bem-estar social. Sob esse prisma, o pensador contratualista John Locke, em seu “Contrato Social”, afirma que o Estado deve promover meios para garantir a harmonia entre o meio coletivo. No entanto, a escassez de políticas públicas, principalmente de fiscalização, faz com esse paradigma mantenha-se vigente. Em consequência disso, há a transgressão do Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA),  uma vez que em um de seus artigos garante para todas as crianças e adolescentes o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social. Então, enquanto a negligência estatal for realidade, o Estado Democrático de Direito será utópico.

Portanto, faz-se necessário lançar ações para mitigar tal mazela. Dessarte, é dever do Poder Executivo, sobretudo na voz das prefeituras, promover uma ampliação concreta do setor infância e juventude, por meio de investimentos financeiros- os quais serão revestidos na especialização e na capacitação de profissionais da área e em melhorias na infraestrutura-, com vistas à consolidação de um meio permeado pela coexistência harmônica e eficaz entre legisladore e civis, no qual os direitos constitucionais serão garantidos e respeitados. Ademais, convém as escolas em parceria com a família, realizar debates e palestras no âmbito escolar, acerca dos riscos do consumo de álcool e outras drogas entre jovens, com intuito de formar um senso crítico e de viabilizar a construção gradativa de uma sociedade mais harmônica. Desse modo, o mal cotidiano será ultrapassado