Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 24/07/2021

Consoante ao sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, a sociedade pós-moderna é caracterizada pela cultura dos excessos. Nessa perspectiva, na conjuntura contemporânea, nota-se um aumento significativo do consumo de álcool e de outras drogas entre o público jovem no Brasil, fruto da naturalização social que ocorreu nas últimas décadas do uso desses itens.Nesse contexto, urge analisar como a publicidade exarcebada e a negligência estatal impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar, a princípio, que o aumento do consumo de álcool entre os jovens está intrinsecamente relacionado à publicidade exarcebada. Segundo os filósofos Adorno e Horkheimer, a indústria cultural utiliza os meios de comunicação de massas para disseminar padrões de consumo que geram uma falsa sensação de felicidade e prazer. Sob tal ótica, percebe-se no âmbito social uma glamourização das bebidas alcoólicas nos anúncios publicitários, os quais instigam os indivíduos a consumirem constantemente esses produtos. Desse modo, a exposição contínua a conteúdos relacionados ao uso nocivo de álcool pode predispor os jovens a padrões de consumo prejudiciais à saúde física e mental.

Outrossim, vale salientar que a inobservância estatal propicia o crescimento do uso de drogas, como a maconha e o cigarro, entre o público jovem. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, o número de jovens que já tiveram contato com drogas ilícitas era de 236,8 mil. Nesse viés, tal panorama ocorre, sobretudo, devido à mínima atuação do Estado em combater o tráfico de drogas, o qual cresce de maneira exponencial no cenário nacional. Diante disso, a ineficiência governamental proporcionou a difusão de drogas no território, as quais em muitos lugares são facilmente encontradas e, dessa maneira, muitos indivíduos são influenciados a consumirem essas substâncias ilícitas. Por conseguinte, o uso desses itens afeta o desenvolvimento pessoal e social desse público.

Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para minimizar o consumo de álcool e outras drogas entre o público jovem. Logo, cabe ao Poder Legislativo - responsável pela elaboração e revisão das leis - desenvolver uma lei que proíba a indústria publicitária de abusar de conteúdos voltados ao uso exarcebado de álcool e outras drogas, uma vez que o público jovem é facilmente influenciado por esse mercado. Isso deve ser feito por meio de fiscalizações constantes por órgãos competentes, como as secretarias de comuicação social, a fim de reduzir o consumo desses itens entre os jovens. A partir disso, espera-se atenuar a cultura dos excessos exposta por Bauman.