Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 20/08/2021
Sob a óptica dos filósofos contratualistas, o Estado foi criado com o intuito de organizar a vida coletiva e promover a ordem e a harmonia social. Entretanto, percebe-se que a sociedade brasileira encontra-se em uma extrema desordem, pois, mesmo sendo proibida a venda de bebidas alcóolicas a crianças ou ao adolescente, de acordo com o artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ainda há o fornecimento e não ocorre uma fiscalização efetiva a esse tocante. Nesse contexto, infalivelmente, o uso abusivo de bebidas alcóolicas por pré-adolescentes e jovens é decorrente não só do álcool estar vinculado a um status e integração social, mas também da tentativa de fuga da realidade e inabilidade na gestão emocional.
“Não se faz amigos bebendo leite”. Esse dito popular revela que o Brasil vincula a bebida um senso de integração, amizade e convívio. No entanto, o ditado também foi aderido por aqueles que nem podem consumir bebidas alcóolicas- jovens menores de 18 anos- o qual representa a ineficácia do Poder Executivo em efetivar diariamente as leis, na prática. Sendo lamentável essa situação, visto que muitos jovens passam a ter apenas uma busca por esse tipo de integração e amizade.
Somado a isso, o uso abusivo de alcóol também está associado à busca pela fuga da realidade, causada muitas das vezes pela inabilidade na gestão emocional, o qual os jovens ao consumi-lo sentem um bem-estar efêmero. Consoante é retratada desde o século XXI, pela corrente literária Ultrarromântica brasileira, pelo byroniano Álvares de Azevedo, que em suas poesias retratava a tendência em fugir da difícil realidade, usando, inclusive o álcool. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para ressignificar o uso do álcool.
Cabe, portanto, aos Ministérios da Justiça e da Segurança Pública e da Educação criarem um projeto para ser desenvolvido nas escolas com o engajamento das famílias e toda comunidade para promover a orientação / educação e, posterior, efetivação a respeito da venda e fornecimento de bebidas alcóolicas aos jovens, por meio de debates, depoimentos e atividades lúdicas com ex-alcóolatras, os quais relatem as consequências do uso e também debates a respeito do porquê dessa prática- ao explicar como causas do abuso etílico e consequências. Com efeito social de romper com uma ideia de integração social byroniana ao usar maneiras, com psicólogos nas escolas e comunidades, de lidar com a gestão emocional.