Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/08/2021
Viver entre uma multidão de valores, de normas e de estilos de vida em competição, sem uma garantia firme e confiável de se estar certo é, como afirma o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade líquida”, perigoso e cobra um alto preço psicológico. Basta um olhar na realidade para perceber que os jovens começam a fazer o uso de bebidas alcoólicas e substâncias ilícitas pela pressão social. Nessa perspectiva, ao se discutir sobre o aumento do consumo de álcool e drogas pelos jovens brasileiros, percebe-se que esses produtos são facilmente acessados pelos jovens. De modo que, torna-se determinante não apenas questionar a permissividade dos responsáveis em relação ao álcool, mas, também, os riscos do consumo excessivo de álcool entre os jovens.
Nessa perspectiva, torna-se claro que o consumo de bebidas alcoólicas advém da permissividade da parte dos responsáveis ao consumo desse tipo de substância, incidindo uma falsa impressão de autorização para o jovem. Nesse cenário, atesta-se os dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), em que afirma que entre jovens de 13 a 15 anos 70% deles já experimentaram bebidas alcoólicas, enquanto dentro dessa mesma faixa etária 10% já fizeram o uso de substâncias ilícitas. Vale frisar a falta de fiscalização da lei que proíbe a venda de produtos alcoólicos para pessoas menores de 18 anos, entretanto, somente o reforço da lei não terá 100% de efetividade, para que possa ocorrer a efetiva interferência é preciso também o apoio contínuo das famílias.
Diante desse quadro, não se pode adiar a urgência das medidas de prevenção ao acesso do jovem a esses produtos. Outro ponto determinante, a ser considerado nessa discussão, são as consequências do consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens. Vale ressaltar que pelo fato de não estarem acostumados a beber casos como intoxicação grave são os mais recorrentes. Nessa perspectiva, vale destacar a fala feita pelo psiquiatra e coordenador do Centro Regional de Referência em Drogas da UFMG, Frederico Garcia, uma vez que acredita que o quanto mais precoce se der a exposição ao consumo maior será o risco de dependência. Logo, com o comprometimento momentâneo do sistema nervoso central esses jovens se tornam mais propensos a fazerem o uso de outras substâncias ilícitas.
A partir dos argumentos apresentados, pode-se concluir que o uso dessas substâncias pelos jovens pode acarretar em diversas consequências. Logo, é fundamental que o Estatuto da Criança e do Adolescente em conjunto com o Governo Federal, estabeleça como meta o melhoramento da rigorosidade das leis de consumo e venda de bebidas e substâncias ilícitas para menores, a fim de dificultar o acesso dos jovens a esses produtos. Com essas ações, acredita-se que a diminuição do consumo pelos jovens.