Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 26/09/2021

No século XVIII, o iluminista Voltaire, em ‘’Cândido ou Otimismo’’, promove a profunda ruptura com a filosofia romântica de Leibniz ao ironizar a compreensão de que vivia no melhor dos mundos possíveis. Contemporaneamente, no Brasil, o consumo excessivo de drogas ilícitas por jovens materializa as ideias apresentadas por Voltaire. Com efeito, compreender as causas e consequências da problemática é necessário para transformar esse cenário que compromete a saúde e estabilidade do corpo social, e que é respaldado pela ineficiência do Estado em oferecer programas educacionais que interrompam esse ciclo e pela compactuação da sociedade em fechar os olhos para o consumo de drogas e os usuários. Dessa forma, mostra-se um afazer de indubitável relevância.

Primeiramente, cabe abordar que mesmo com o PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência), a ausência de programas educacionais nas escolas contribui para que mais jovens entrem no mundo dos vícios pelas drogas ilícitas. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em abril de 2019, mais de 3,5 milhões de brasileiros consumiram drogas ilícitas em um período recente. Essa situação mostra que a falta de intervenção do Estado no meio educacional, com programas sobre o consumo de drogas e suas consequências, contribui para a situação atual da sociedade brasileiro. Dessa forma, é necessário que medidas públicas sejam tomadas junto ao Ministério da Educação.

Ademais, cabe elucidar a invisibilidade dos usuários de drogas, dada a inação da sociedade que já enxerga a condição como normal. A gênese desse fato decorre de uma sociedade que se cala diante do vício, visto que o considera normal, sendo preferível se manter calado e inerte a mobilizar-se e pressionar o governo para mudanças. Segundo Zygmunt Bauman, em seu conceito ‘’Cegueira Moral’’, a indiferença ao próximo é habitual, em tempos de modernidade líquida. Dessa forma, a população se apresenta inata a realidade que as drogas fazem com a sociedade, e permitem a perpetuação desse ciclo, que mesmo sendo ruim para a sociedade, geram lucro para as empresas de bebidas e cigarros, por exemplo.

Torna-se evidente, portanto, que as drogas são um problema evidente na sociedade e, por isso, devem ser combatidas. Assim, cabe ao Estado, mediante investimentos no Ministério da Educação que criará projetos eficientes de combate às drogas, visando a comunicação com adolescentes nas escolas, para mostra-los a realidade do uso e suas consequências individuais e coletivas. Outrossim, cabe ao Governo, promover o ‘’Merchandising Social’’ entre os comerciais nos meios televisivos, buscando mostrar a população a realidade das drogas e como a mesma afeta a sociedade.