Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 16/10/2021
O livro “Vida de Droga”, do autor Walcir Carrasco, conta o drama de uma jovem que após enfrentar uma crise financeira familiar encontra nas drogas uma espécie de refúgio para atenuar problemas pessoais, levando-a, posteriormente, a desencadear o vício em entorpecentes. Análogo ao contexto abordado pela estória, na realidade de muitos jovens brasileiros o que se observa é a sutileza com o que tais substâncias se tornam ferramentas de “escape” aos dilemas oriundos dessa fase da vida. Tal panorama, permite a constatação de que questões psicológicas e desinformação, são fatores cruciais para fomentar a adesão ao consumo desenfreado de álcool e ao uso de drogas ilícitas entre os jovens brasileiros.
Sob esse viés, a adesão às drogas precocemente está atrelada a conflitos internos da adolescência e que vão além da curiosidade. Isso porque muitos encontram nas sensações ofertadas pelos entorpecentes uma maneira de descontar anseios, crises familiares e de identidade, bem como o bullying e outras problemáticas inerentes à idade. Nessa perspectiva, o documentário “Cracolândia”, feito com usuários de uma substância derivada da cocaína, mostrou que a maioria dos viciados entrevistados conheceram as drogas a partir de gatilhos emocionais que não obtiveram acompanhamento psicológico, sejam esses, conflitos de identidade de gênero, orientação sexual, ou traumas familiares de infância.
No que tange a questão da desinformação, que propicia margem para o uso de tais substâncias, o fato que a oferta destas ocorre precocemente é substancial para atingir indivíduos vulneráveis e inexperientes quanto às respectivas consequências que o experimento das drogas lhe trarão à vida. Sob tal óptica, o célebre educador Paulo Freire, defende a tese de que o maior objetivo da escola é educar o aluno para “ler o mundo”, ou seja, as orientações pedagógicas devem conter um viés de direcionamento humanizado no que se refere à questão das drogas, algo que vá além das disciplinas de cunho comum.
Em síntese, de modo a mitigar o aumento do consumo de drogas e álcool entre os jovens brasileiros, urge o dever do Ministério da Educação, em parceria com as secretarias Estaduais e Municipais, a implantação de psicólogos para pronto atendimento em todas as escolas públicas, através do programa “Vamos conversar?”. Este, trará com principal função a promoção de palestras para orientação sobre as implicações do uso de drogas e, além disso, propiciar atendimento individualizado aos que necessitarem de apoio psicológico. Dessa forma, o país construirá cidadãos diligentes que, por sua vez, consolidarão uma sociedade não propensa ao vício das drogas.