Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/11/2021

“E dai se ficarmos bêbado, e dai se fumarmos maconha ?”, é assim que começa a música “Young, Wild and Free” dos rappers Wiz Khalifa e Snopp Dog, tal sucesso tem mais de 652 milhões de acessos, apenas no youtube. Reflexo de tamanha popularização da canção está na difusão do novo comportamento entre os adolescentes, perante substâncias lícitas ou não. Logo, deve-se levantar uma discussão sobre o risco do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens, afinal existe um movimento de normalização e, consequentemente, adaptação sobre esse cenário.

Em primeiro plano, a música citada é, apenas, um dos inúmeros exemplos de produtos de entretenimento que normalizam o uso de drogas, haja vista que cenas de personagens em bares bebendo vários drinks são cada vez mais comuns em qualquer filme ou série. Tal estratégia de disseminação do comportamento é fruto da Indústria Cultural- conceito teorizado por Adorno, filósofo do século XX-, a qual produz a sensação de normalização de conteúdos, com a finalidade de padronizar culturas. Em outras palavras, com estes produtos difundido o consumo das substâncias, forma-se um novo modelo a ser almejado, nesse caso, que beber ou fumar maconha é completamente normal e esperado para um humano na fase da adolescência- “somos jovens, selvagens e livres”, continua a música de Snopp Dog. Sendo assim, o risco do aumento de consumo de álcool e outras drogas, é, justamente, a normalização do modo de vida, sem explicitar os malefícios, como a dependência.

Ademais, tal efeito negativo que a substância causa no organismo é posto em segundo plano, já que os holofotes estão, na verdade, nas faces de venda desse novo comportamento: a desinibição causada pelo álcool, ou mesmo a redução da ansiedade pela maconha. No entanto, quando um jovem encontra essa válvula rápida de escape nessas drogas, ele não se esforça para realmente entender a fonte dessas emoções- até porque, pela lógica é mais cômodo dar shots do que ir ao psicólogo. Por isso, através da máscara, que a Indústria Cultural coloca sob o comportamento vendido, há uma adaptação do adolescente ao uso fácil dessas substâncias para fugir de situações, mostrando que o risco do aumento do consumo de álcool e outras drogas é cada vez mais real e presente na sociedade.

Portanto, é preciso lidar com o cenário apontado. Para isso, o Ministério da Educação deve criar palestras, nas quais, por meio do convite a especialistas na área de dependência química, será desconstruída a máscara vendida pela Indústria Cultural sob o novo comportamento difundido, com a finalidade de diminuir a normalização e adaptação que essas drogas têm causado nos jovens.