Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 03/02/2022
A tela “O triunfo de Baco” de Victor Velásquez retrata, o deus do vinho, um adolescente gorducho e doente cercado de bêbados durante uma comemoração. Sob esse viés, esse cenário de embriaguez retratado pela pintura é um retrato do Brasil, uma vez que ao analisar os riscos do aumento de consumo de álcool e drogas pelos jovens no país, percebe-se que o vício nessas substâncias tem sido recorrente durante a adolescência. Diante disso, essa problemática ocorre devido à ineficaz ação estatal e, agravada, pelos padrões sociais impostos aos jovens.
Nesse sentindo, tem-se como primeiro vetor do problema a inoperância do Estado, posto que, apesar das leis que proíbem o consumo de bebidas alcoólicas – lei 9069/1990 - e de outras drogas serem proibidas no país, os jovens compram esses entorpecentes com facilidade no mercado. De acordo com o IBGE - instituto de pesquisa - 1,5 milhões de adolescentes já consumiram álcool no Brasil. Com isso, essa ineficácia estatal dá “autorização” aos menores para consumir esses narcóticos.
Sob essa perspectiva, vale ressaltar ainda os arquétipos exigidos pela sociedade ao menor como agravante do dilema. Nessa concepção, esse fenômeno ocorre em virtude das “regras” para ser bem-visto pelo outro, aqueles que negam beber uma cerveja ou provar alguma droga são chatos e “zoados” pela maioria. Segundo a teoria do hábitos, de Pierre Bourdieu, a sociedade cria, reproduz e impõe padrões se aprisionando a eles. Logo, os padrões aprisionam o jovem a um comportamento para se sentir incluso no ambiente.
Urge, portanto, que o Estado corrija esse comportamento enviesado, por meio do aumento da fiscalização em mercados e bares, em que os comerciantes serão sempre cobrados e vigiados para não vender esses entorpecentes aos adolescentes, a fim de amainar o consumo de álcool nessa idade. Ademais, é oportuno que a mídia crie campanhas publicitarias que evidenciem os malefícios desse hábito, por intermédio de palestras com médicos nas rádios e redes sociais, com o intuito de romper com os padrões estabelecidos pelo meio social.