Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/03/2022

A banalização do consumo de álcool pelos jovens brasileiros tem sido uma dis-cussão cada vez mais comum, tendo-se em vista a facilidade dos menores em ob-ter a bebida e sua alta distribuição nas festas que frequentam. Apesar do país já dispor de uma lei proibindo sua venda para menores de 18 anos, dados de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 70% dos adolescentes entre 13 e 15 anos já experimentaram bebida alcoólica, sendo expostos a riscos como doenças, acidentes e obtenção de drogas ilícitas.

Primeiramente, uma das causas desses altos números é a falta de fiscalização do cumprimento da lei vigente. O fato é notado no dia a dia, especialmente em es-tabelecimentos comerciais de pequeno porte, já que a pouca quantidade de fun-cionários e seu foco local de mercado fazem o crime parecer ter menos importân-cia. Além disso, as famílias dos adolescentes muitas vezes os incentivam a experi-mentar bebidas alcoólicas, sem perceber que eles podem se sentir autorizados a beber em outros locais e ainda pressionar amigos a fazê-lo.

Tendo em vista que as proibições estão se tornando cada vez mais brandas e omissas, o foco se volta para as consequências do consumo prematuro do líquido. Como o autor Lima Barreto narra em sua obra “Diário do Hospício”, por ter sido exposto à bebida com pouca idade, acabou por desenvolver o alcoolismo ainda jovem e precisou ser preso e hospitalizado por delírios e ataques que a condição lhe causou. Sua doença o fez ter uma carreira fra-cassada em vida, além de obrigá-lo a viver em condições miseráveis, tornando o escritor em um reflexo do que o consumo desenfreado de álcool pode gerar, especialmente por abrir portas para vícios em outras substâncias.

Dessa forma, é de suma importância que o Estado, por meio da realização de rondas e de averiguações permanentes em locais de venda e distribuição de bebi-das alcoólicas, melhore a fiscalização sobre esse acesso aos menores de idade. A-lém disso, a família, ao proibir e limitar os adolescentes, estabelecendo limites pa-ra esse consumo, pode diminuir drasticamente a demanda pelo produto e a pres-são de grupo para consumí-lo. Assim, pode-se prevenir, com a conscientização a-tual, um destino como o de Barreto.