Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 04/04/2022
No livro “O Acordo”, da escritora canadense Elle Kennedy, a protagonista Hannah Wells relata que fora vítima de estupro aos quinze anos, enquanto estava alcoolizada numa festa. Analogamente à ficção, no Brasil, o aumento do consumo de álcool e outras drogas acarreta inúmeros riscos aos jovens. Nesse sentido, a falta de amparo psicológico e a negligência social fomentam tal problemática.
Em primeira análise, é imperioso salientar que o desalento sentido pelos mancebos contribui para o abuso de estupefacientes. Nesse contexto, as exigências familiares e acadêmicas, atreladas ao crescente individualismo e à competitividade presentes na sociedade capitalista, ocasionam um forte desejo de evasão e desencadeiam transtornos mentais. Acerca disso, a série norte-americana “Euphoria” elucida como a situação de instabilidade psicológica faz com que a personagem Rue buscasse nos narcóticos o escapismo. Dessa forma, similarmente à produção audiovisual, o desenvolvimento cada vez mais precoce da dependência química faz-se pungente na realidade.
Outrossim, cumpre ressaltar que a omissão da coletividade facilita o acesso dos adolescentes aos entorpecentes. Sob esse viés, ainda que a Constituição hodierna proíba veementemente a venda de alucinógenos a pessoas de tenra idade, a permissibilidade familiar e a precária supervisão das autoridades dificultam o cumprimento da Lei. Nesse âmbito, o seriado espanhol “Elite” ilustra a falta de monitoramento dos adolescentes durante comemorações em grupo, assemelhando-se à conjuntura brasileira. Consequentemente, a perda do senso crítico provocada pela utilização de químicos oportuniza a prática de outros delitos.
Depreende-se, portanto, que o desamparo emocional e a displicência social culminam na elevação do uso de drogas pelos jovens. Urge, então, que o Ministério da Educação - órgão encarregado do sistema educacional do país -, promova o oferecimento de atendimento psicológico nas escolas, por intermédio da contratação de profissionais especializados, como psicólogos e psicanalistas, a fim de minimizar a vulnerabilidade psíquica dos estudantes. Ademais, é mister que o Estado reforce a fiscalização em relação ao comércio de álcool para menores. Destarte, essa mazela poderá ser aplacada em terras tupiniquins.