Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 12/08/2022

A obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, retrata a injustiça social da França no século XIX. Fora da ficção, no Brasil do século XXI, percebe-se um contexto semelhante ao da trama: a injustiça domina no que tange os riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens, criando, na realidade, um obstáculo que carece de intervenção. Nesse sentido, é importante a menção sobre a falta de debate e a insuficiência das leis acerca do tema.

A princípio, o problema encontra terra fértil na falta de debate. À vista disso, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um óbice como o uso de drogas pelos jovens seja resolvido, faz-se necessário a discussão sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere à questão, que ainda é muito silenciada. Assim, trazer à pauta e debatê-la amplamente aumentaria a chance de atuação.

Além disso, é indubitável, nesse contexto, que a questão da insuficiência das leis esteja entre as causas do problema. Conforme Thomas Jefferson, a aplicação das leis é mais importante que a sua elaboração. A perspectiva do filósofo aponta para uma falha muito comum das sociedades: acreditar que a criação da lei em si pode resolver problemas complexos, como a questão do acesso ilegal ao álcool e entorpecentes pelos adolescentes. Assim, o que se verifica é uma insuficiência da legislação, se esta não vier atrelada a políticas públicas que ajam na base cultural do problema, dificultando sua resolução.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para a mudança no cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam, no ambiente escolar, um espaço para rodas de conversas e debates sobre o consumo de álcool e variadas drogas pelos jovens. Esses encontros podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas aos perigos do uso do álcool e entorpecentes e se tornem cidadãos. Assim, a injustiça social da obra “Os Miseráveis” permanecerá apenas nos livros, distantes da realidade brasileira.