Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/10/2022

Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado promover medi-das que garantam a saúde e o bem-estar social a todos os indivíduos. Todavia, os riscos relacionados ao aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens brasileiros tornam a norma do autor uma utopia, visto que privam a nova geração de desfrutar dos direitos defendidos pelo pensador.Com efeito, vale desta-car a insuficiência das leis e a invisibilidade da causa como perpetuadores do óbice.

Dessa forma, em primeira análise, cabe avaliar a ineficiência constitucional como um fator determinante. Sob essa ótica, Gilberto Dimenstain, escritor e jornalista nacional, explica que as leis brasileiras são inefetivas, o que gera uma falsa sensa-ção de cidadania. Tal crítica do autor, de fato, consolida-se na hodiernidade, pois, mesmo com a presença de leis que pribam a ingestão de álcool, bem como de ou-tras drogas, os casos de envolvimento de adolescentes com tais substâncias é cada vez mais preocupante no cenário atual. Isso ocorre devido à falta de fiscalização le-gal de estabelecimentos comerciais e de festas que propíciam tal consumo, dificul-tando o pleno estabelecimento do preceito normativo. Assim, é urgente que a cida-dania de papel- de que o jornalista fala- seja superada.

Ademais, a invisibilidade da questão é um desafio presente na causa. Sob tal parâ-metro, a socióloga Djamila Ribeiro diz ser necessário fornecer visibilidade a uma si- tuação para que soluções sejam dispostas. Há, no entanto, um silenciamento ins-taurado no que diz respeito aos riscos do aumento do consumo de drogas lícitas e ilícitas pelos jovens, haja vista que esse assunto raramente é discutido na mídia na-cional. Sob tal análise, vale ressaltar que os meios comunicativos apenas expõem alguns casos do tema, mas não o debatem de forma ampla. Com isso, informações importantes não são transmitidas, como os malefícios associados a tais substân-cias. Desse modo, urge tirar essa situação da obscuridade para agir sobre ela.

Portanto, é fulcral atuar sobre esse problema. Para tanto, cabe ao Ministério das Comunicações- regulador dos meios midiáticos- promover maior visibilidade à cau-sa, por meio de programas e anúncios televisivos, visando à exposição do tema. Outrossim, o Estado deve rever suas leis, a fim de efetivá-las. Destarte, com essas medidas, ter-se-á um Brasil semelhante ao contratualismo visado por Locke.