Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/09/2023
Na obra “O Constitucionalismo Brasileiro”, Manuel Jorge destaca que a carência de cultura normativa resulta na ineficácia dos textos constitucionais. Para o autor, em- bora o Brasil seja formalmente moldado pela Constituição Federal, os direitos ga- rantidos por ela não são aplicados na prática. Nessa perspectiva, essa situação se reflete na realidade, em que os riscos do aumento do consumo de álcool e de ou- tras drogas entre os jovens agem como obstáculo à efetividade dos princípios da Carta Magna. Esse problema decorre não só da negligência governamental, mas também da apatia da sociedade.
Percebe-se, inicialmente, que a frágil atuação do Poder Público possui relação com o revés. Nessa conjuntura, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve agir para concretizar as normas da sociedade em que opera. Nesse sentido, o equí- voco surge ao supor que essa premissa é aplicada em todos os setores da comuni-dade. Tal ineficiência do sistema institucional em suprir as demandas da nação, re- sulta em vulnerabilidade sexual dos adolescentes que usam entorpecentes, visto que os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que mais de 75% dos jovens já fizeram sexo desprotegido, corroborando para a negação do di- reito constitucional à dignidade da pessoa humana. Logo, torna-se substancial a mudança desse quadro.
Ademais, faz-se mister, ainda, salientar a falta de ação social como agravante do problema. Nesse viés, o filósofo Silvalino Araújo, em seu legado, ilustra a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade diante dos dilemas enfrentados pelo próximo. De maneira análoga, nota-se que a exposição dos menores às dro- gas encontra terreno fértil na estagnação social. Isso ocorre devido à sociedade nã- o se mobilizar para erradicar essa questão; ao contrário, assume uma postura indi- vidualista. Assim, infere-se que a mudança do comportamento social é crucial para superar o paradigma.
Diante disso, o Governo Federal, responsável pelos interesses coletivos, deve elaborar políticas públicas, por meio de planejamento colaborativo, que vise informar os jovens sobre os riscos do uso de entorpecentes, para que os brasileiros vejam os princípios da Carta Magna como uma realidade.