Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/04/2024

O sociólogo francês Pierre Bordieu descreveu a “Violência Simbólica” como uma agressão não física, que se manifesta na diferença de poder entre os grupos so-ciais, na qual os que possuem mais poder e influência atuam como opressores. Em vista disso, é notória a ideia de que a população brasileira sequer imagina que so-fre uma violência silenciosa, disfarçada de felicidade. Na sequência, é necessário discutir acerca da influência da mídia, junto da romantização de drogas lícitas e ilícitas encontradas nos conteúdos para jovens.

Em primeiro plano, o uso de drogas lícitas e ilícitas entre os jovens no Brasil tem terra fértil no individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade pós-modernista é fortemente influenciada pelo individua-lismo. Em virtude disso, nota-se que publicidades de bebidas alcoólicas estão por toda parte, seja na televisão, durante um desenho animado ou em outdoors nas ruas, sempre mostrando pessoas felizes com uma cerveja na mão, por exemplo, nas propagandas da marca Skol, na qual todos sempre estão bebendo, alegres, na praia. Diante disso, as pessoas que possuem contato com tais propagandas — sobretudo os jovens — sentem, inconscientemente, que ao beber serão mais feli-zes e terão a vida perfeita mostrada na publicidade.

Em segundo plano, isso ocorre, também, em conteúdos voltados para adolescen-tes, como, por exemplo, a série Skins, na qual sempre mostra o grupo de jovens indo a festas e curtindo adoidados. Dessa forma, isso acaba fazendo com que os jovens criem a ilusão de que viver uma vida com o consumo de bebidas alcoólicas seja divertida, na série Skins, apesar das consequências mostradas, como o desen-volvimento da depressão psicótica de Effy, os outros componentes do grupo conti-nuam a manter atos inconsequentes, como se, apesar das divergências, a vida é mais fácil quando bebe, ao invés de influenciar a superação de maneira sóbria, por meio de tratamentos psicológicos.

Portanto, é necessário intervir sobre o problema. Para isso, os pais — instrutores da vida — devem se manter atentos ao que os filhos consomem na mídia, por meio de conversas sobre os conteúdos que os jovens gostam, a fim de manter uma relação de confiança, visando orientá-los e apoiá-los em todos os momentos.