Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 01/10/2026
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6° o direito à segurança, como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado quando se observa a normalização de relacionamentos abusivos, muitas vezes, impulsionada pela romantização praticada em séries e filmes, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Nessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da inércia do Estado em relação à liberação de quaisquer tipos de obras cinematográficas e a falta de responsabilidade dos autores em criarem, consecutivamente, personagens masculinos autoritários e abusivos, enquanto as personagens femininas, mostram-se dependentes, aceitando comportamentos, claramente, inapropriados.
Em um primeiro momento, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para regularizar o acesso à conteúdos que impulsionem e corroborem com comportamentos misóginos. Com a popularização da internet pode-se, facilmente, assistir a dramaturgias, que de uma forma natural, colocam a mulher sendo agredida. Nesse sentido, o filme “Sr e Sra Smith” conta a história de um casal, aparentemente normal, que ao descobrirem que possuem o mesmo tipo peculiar de trabalho entram em uma luta corporal, reproduzindo uma cena extremamente romantizada, tornando-se prejudicial, principalmente entre os jovens.
Ademais é fundamental apontar a naturalização entre os autores em normalizar comportamentos masculinos tão nocivos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma entre três mulheres já sofreu algum tipo de violência física ou sexual praticada por um parceiro íntimo. Sob esse viés, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade do Ministério da Saúde por intermédio das emissoras de televisão, transmitirem campanhas contra a normalização dos abusos contra as mulheres, alcançando o maior número possível de expectadores, a fim de reverter esse quadro problemático, fazendo do Brasil, um país que garanta a ampla defesa dos direitos fundamentais.