Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 07/10/2024
A personagem “Arlequina” da série animada “Batman”, é um exemplo de perso-nagem que está em um relacionamento abusivo. Apesar de a obra retratar como um empecilho, muitas outras mídias populares de ficção acabam por glamurizar esse tipo de relacionamento. Esse revés perdura pela ausência de responsabilida-de da mídia e da falta de pressão popular, limitada pela má qualidade do ensino.
Nesse contexto, as fontes midiáticas, em destaque canais de televisão e aplicativos de streaming, se comportam de forma nefasta e irresponsável. Acerca disso, a crítica de cinema Isabela Boscov reforça a problemática de glorificação de relacionamentos abusivos em sua resenha da serie “The Idol”, em que as cenas de humilhação da protagonista pelo parceiro são marcadas pela fetichização e por uma estética sensual. Sob esse viés, o roteiro e a direção deixam de promover discussões sobre o tema e empatia às vítimas e passam a glorificar abusos físicos e psicológicos entre parceiros. Dessa forma, em um país que, de acordo com a BBC Brasil, cerca de 40% de agressões contra mulheres ocorrem em ambiente doméstico, a mídia atua de forma contrária ao bem-estar social.
Ademais, a sociedade falha em exigir que relacionamentos abusivos deixem de ser romantizados. Referente a isso, Paulo Freire reitera a autonomia do indivíduo como decorrente de uma educação política. Todavia, as escolas, universidades e centro comunitários falham em formar a capacidade crítica e analítica dos indivíduos, uma vez que, de acordo com o último PISA, apenas 25% dos alunos possuem capacidade adequada de interpretação. Isso acarreta na falta de engajamento popular em questões sociais, incluindo a má representação de relações tóxicas no entretenimento. Desse modo, a sociedade deixa de atuar em prol de si, pela má qualidade do sistema educacional.
Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Educação conscientizar a população sobre romances abusivos e sua representação na mídia por meio da realização de palestras em todos os níveis de educação. Tal iniciativa deve contar com sociólogos e filósofos especialistas em ética. Assim, as pessoas se tornarão mais críticas em relação àquilo que assitem e mais engajadas em causas sociais.