Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 07/10/2024
No seriado popular “Chaves”, o personagem “Seu Madruga” era abusado fisicamente por “Dona Florinda” frequentemente, explicitando seu sofrimento como divertimento a todos. De modo análogo, no Brasil é comum a romantização do relacionamento abusivo em séries e filmes, influenciando a cultura brasileira. Sendo assim, o paradigma supracitado ocorre acerca da normalização de relações tóxicas e da omissão governamental.
Em primeiro lugar, é fulcral a atenção às ações tóxicas entre os casais na mídia. Em reflexo disso, em 2022, o renomado ator Johnny Depp perdeu diversos contratos e teve sua carreira comprometida negativamente por consequência dos atos de Amber, sua namorada tóxica que o violentou fisicamente e psicologicamente. Logo, até mesmo pessoas famosas são vítimas de casos de violência nos relacionamentos, aferindo a presença do tratamento abusivo, por isso, ao normalizar essas atitudes na mídia, consequentemente, há um aumento em evidências de crimes semelhantes.
Paralelamente, é nítido que o descaso estatal é confluente com a permanência das problemáticas. Conforme a Constituição Federal de 1988, é direito do Estado oferecer aos cidadãos à segurança e à saúde. Mas, esses direitos são inválidos assim que os brasileiros são submetidos à violência até em público, já que em muitas séries as “toxicidades” ocorrem em qualquer local, como na famosa série Naruto Shippuden, alvo do público adulto e infantil, em que o protagonista recebia golpes de sua parceira em todos lugares na tentativa de tornar a cena cômica. Portanto, é importante suprir a carência das ações governamentais com modos para a resolução desses problemas.
Em síntese, urge a busca por medidas para amenizar a reprodução dos comportamentos abusivos em território nacional. Assim, o Ministério da Saúde - junto do Ministério da Justiça e Segurança Pública - deve ampliar verba para a Criação do Projeto Relação Saudável. Esse projeto guiará os cidadãos à preservação de sua saúde, por meio de assistência gratuita em sedes, e também em propagandas midiáticas sobre o bem-estar das relações, a fim de assegurar o desaparecimento da normalização das relações tóxicas. Só então, os relacionamentos populares irão se distanciar dos desagrados comportamentais entre os parceiros.