Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares

Enviada em 09/10/2024

Para Aristóteles, a arte tem um papel essencial na sociedade, tendo em vista que reflete a natureza e auxilia na compreensão da mesma. Todavia, contemporâneamente as artes visuais têm representado com frequência relacionamentos abusivos. Dessa forma, a representação dessa forma de relação mostra, além da normalização da violência, a inoperância governamental.

Primeiramente, cabe ressaltar que a violência em relacionamentos, apesar de preocupante, não é nova. Nesse sentido, a antropóloga Lila Schwarcz elaborou o termo “política de eufemismo”, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados, deixando de receber a necessária importância, fato comprovado pela disseminação de frases como “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, demonstrando que a normalização dos comportamentos abusivos está enraizada no imaginário popular. Dessa forma, os indivíduos, por não estarem devidamente conscientizados sobre o impacto da violência em relações, deixam de dar a “colherada” e não denunciam os abusos testemunhados.

Ademais, as obras cinematográficas não possuem a devida fiscalização governamental. Seguindo essa lógica, Thomas Hobbes em seu livro “Leviatã” defende que é papel do Estado garantir condições básicas para a população. Todavia, tal prerrogativa não está sendo totalmente garantida no tecido social brasileiro, tendo em vista a falta de fiscalização nas séries e filmes populares. Consequentemente, a retratação de abusos nas relações vem sendo romantizada, fator prejudicial para a sociedade, tendo em vista que artigos de consumo atuam na mentalidade do consumidor, assim como essas séries influenciam escolhas e julgamentos da vida pessoal de quem está assistindo.

Portanto, faz-se fulcral que a problemática seja mitigada. Para tanto, urge que o Ministério da Educação crie o programa “Meu relacionamento, Minha vida”, o qual consistirá na ministração de palestras em todas as escolas públicas do Brasil, visando conscientizar os alunos sobre como identificar e denunciar adequadamente uma relação tóxica. Ademais, se faz imperioso que o supracitado projeto conte com a presença de pessoas que já vivenciaram esse tipo de relação,

com o objetivo de garantir a veracidade das informações.