Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares

Enviada em 09/10/2024

A Literatura como estudo acadêmico denota a “Função Catártica” das obras de arte. Esta tem como ação a exposição de valores para a interpretação do público consumidor. Diante disso, as séries e os filmes que são populares atualmente têm exposto diversos relacionamentos abusivos sem o devido tratamento. Por isso, esse cenário é disruptivo para a sociedade brasileira, uma vez que normaliza relações de gênero desiguais e retrocede importantes avanços para as mulheres.

Consoante a essa realidade, o filósofo Immanuel Kant afirmava que “O homem é tudo aquilo que a educação faz dele”. Perante o cenário de romantização de relações abusivas essa afirmação é alarmante, pois homens passam a externalizar comportamentos possessivos, ciumentos e agressivos que aprendem nas obras. Concomitantemente, suas parceiras passam a aceitar tais comportamentos pois também aprendem que isso é normal. Dessa forma, a catarse proveniente das obras denota-se desfavorável para relações saudáveis e construtivas.

Não obstante, é importante observar que o século passado foi um marco para os avanços sociais das mulheres e a reinstauração desses comportamentos sinalizaria um grave retrocesso. Por conseguinte, assistir mulheres sendo degradadas por seus parceiros e não problematizar essa visão, corrobora com um pensamento antigo que devolve à elas uma posição terrível que nunca foi sua, a de inferior. Por isso, evocar o “Princípio da Fraternidade” da Constituição é imprescindível, pois ele denota que a ação do Estado não é suficiente, sendo necessária a sociedade para que soluções sejam alcançadas.

Logo, infere-se que a romantização das relações abusivas por séries e filmes resultam em danos na educação de homens e mulheres, tornando normal comportamentos danosos e retrógrados. Portanto, as Mídias televisivas, meio de comunicação mais popular dentre os brasileiros, devem promover campanhas educacionais, por meio de ficção engajada, novelas e filmes, que retratem esses relacionamentos não-benéficos com o devido tratamento de enfatizar seus danos para o indivíduo e a sociedade, com o fito de remediar os danos educacionais já existentes e prevenir os futuros. Além disso, a função catártica e a arte serão utilizadas de forma benéfica para o povo brasileiro.