Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 10/10/2024
Em “Sociedade do Espetáculo”, Guy Debord, defende que nas sociedades comtemporâneas há uma espetaculação da vida. Para o pensador frânces, os cidadãos são transformados em plateia passiva e as grandes questões sociais em imagens a serem consumidas. Esse conceito ajuda a compreender o atual cenário brasileiro espetacularizado, no qual a romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes compromete o conceito de “relacionamento saudável”. Dessa forma, faz-se necessário analisar a falta de debate e a superficialidade das relações como pilares fundamentais da problemática.
A princípio, é fulcral pontuar que a falta de exposição do problema faz com que ele perpetue. Segundo Djamila Ribeiro, deve-se tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam propostas. Porém, há um silencio instaurado na questão da romantização de relacionamentos tóxicos, visto que pouco se fala sobre o assunto nas escolas e nas mídias de massa, o que causa a invisibilização do problema. Desse modo, valores são perpetuados na sociedade, a qual passa a aceitar atitudes tóxicas e violentas como algo comum, assim, agravando os índices de violência.
Outrossim, vale, ainda salientar a liquidez das relações como impulsionadora do problema. Segundo o sociólogo Polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas, é a caracteristica da “Modernidade Líquida” vivída no século XXI. Dessa maneira, o atual cenário de banalização de relacionamentos abusivos pela mídia afirma a fragilidade das relações, uma vez que a cultura de romantizar a violência é continuamente propagada devido a alta rendalidade gerada por meio desse tipo de entreterimento, não se importando em como isso pode influenciar nas vivências das pessoas que consomem esse tipo de conteúdo. Assim, torna-se evidente que o principal objetivo é o lucro independente das consequências para a sociedade.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para coibir o problema. Logo, o Ministério da Educação deve promover palestras nas escolas e nas mídias de massa, com intuito de criar debates sobre o perigo de romantizar relacionamentos abusivos, a fim de conscientizar, por meio da informação, o perigo de banalizar atitudes tóxicas por estar consumindo séries e filmes com esse conteúdo, fazendo, assim, com que a sociedade saia do papel de plateia passiva e se torne responsável por aquilo que assiste.