Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 11/10/2024
Manoel de Barros, poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras, uma “teologia do traste”, cujo principal objetivo é dar valor a situações esquecidas e ignoradas. Analogamente, no Brasil atual, é notável como a romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares, é algo esquecido e ignorado por muitos. Com efeito, cabe analisar tanto a má influência midiática quanto a violência que as vítimas estão submetidas.
Em primeira análise, é imperioso pontuar que a má influência midiática é um problema que contribui para a romantização de relações tóxicas. Sob essa perspectiva, filmes, séries e novelas retratam como relacionamentos difíceis podem ter felicidade e beleza, o que acaba distorcendo completamente da realidade. Desse modo, as mídias têm esse poder de influenciar de maneira errada como meninas e mulheres podem ser tratadas, pois são as principais espectadoras dessse tipo de conteúdo.
Ademais, a viôlencia que as vítimas estão submetidas é uma das consequências dessa romantização. Nesse viés, é evidente que mulheres sofrem com relacionamentos abusivos, e, muitas delas, não têm consciência disso, já que são frequentemente incentivadas a aceitar os riscos psicológicos e até físicos de um vínculo violento com parceiros de comportamentos parecidos com os protagonistas dos filmes de romance. Nesse sentido, filmes como “é assim que acaba” refletem as nuances de uma relação tóxica e como o amor pode enfrentar as dificuldades, capaz de inverter os valores de casamentos e namoros saudáveis.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias. Destarte, cabe ao Governo Federal, órgão responsável pelo bem estar-social, por meio das mídias e redes sociais, criar campanhas para consciencializar a população feminina sobre a toxicidade das relações e o que deve ou não ser permitido, com o fito de diminuir as influências e o poder de romantização nociva de filmes e séries no cotidiano dessas pessoas.