Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 12/10/2024
No filme “50 tons de cinza”, é retratado uma relação na qual a mulher sofre diversos tipos de violência por parte de seu parceiro. Apesar disso, o longa metragem apresenta tal relação de forma romantizada, o que influencia a visão do público sobre o tema. Nesse sentido, a romantização de relacionamentos abusivos se deve à falta de controle parental e acarreta a normalização do problema.
Em primeiro lugar, é válido destacar que o monitoramento insuficiente por parte dos pais é um agravante para a questão. O “dark romance” por exemplo, é um termo que se tornou famoso nas redes sociais em 2024, com adolescentes comentando sobre obras que enaltecem a violência contra a mulher e o estupro dentro das relações. Sobre isso, cabe salientar que tal conteúdo é nocivo e pode até mesmo ser encontrado por crianças, que não estão preparadas para reconhecer os limites entre a ficção e a realidade. Assim, a partir do momento em que os pais não se atentam ao que os filhos consomem nas mídias, tópicos como esse podem chegar até eles, de forma a distorcer sua visão sobre relacionamentos.
Além disso, deve-se ressaltar a naturalização de relações desse tipo como consequência de sua romantização. A título de exemplo, no filme “Crepúsculo”, os protagonistas vivem uma relação problemática, na qual o rapaz persegue a moça e tem atitudes possessivas para com ela. Desde o lançamento do longa, diversas produções similares surgiram, o que contribuiu para a normalização de condutas problemáticas em relações amorosas. Dessa forma, a constante romantização do tema pela mídia molda a noção do público sobre o que seria um relacionamento ideal. Consequentemente, as pessoas correm o risco de entrar em relacionamentos tóxicos sem perceberem. Logo, tem-se a necessidade de debater sobre a questão para desenvolver o pensamento crítico dos espectadores.
Portanto, medidas devem ser tomadas para mudar o status quo. Diante disso, as famílias devem atentar-se ao aos conteúdos que os filhos consomem, por meio de diálogos que alertem sobre aquilo que pode ou não ser consumido por eles. Ademais, o Ministério da Educação deve promover debates nas escolas sobre o tema, por meio de palestras. Com isso, espera-se evitar que crianças tenham contato com mídias nocivas e combater a naturalização de relações abusivas.