Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 18/10/2024
A autora Robin Norwood, em seu livro “Mulheres que Amam Demais”, afirma que o contexto em que um indivíduo vive é responsável por influenciar seu pensamento e suas atitudes. Dito isso, observa-se os malefícios desse fenômeno no que se refere à mídia, que, por meio de séries e filmes, manipula seus espectadores para romantizarem os relacionamentos abusivos. Logo, é imprescindível analisar os efeitos dessa lamentável realidade atual.
Nesse sentido, é válido mencionar o longa-metragem “Cinquenta Tons de Cinza”, em que a protagonista Anastácia é tratada como um objeto pelo parceiro Cristian, que apenas a valoriza quando deseja persuadi-la para suprir seus desejos sexuais.
Devido a isso, o tema das relações tóxicas é distorcido para que o indivíduo as perceba como sendo normais, o que resulta na relativização do tópico em um meio cultural e no consequente impacto nas conexões humanas, que tendem a ignorar atitudes impróprias em decorrência do fenômeno em questão. Sendo assim, é necessário que haja uma intervenção para que essa problemática seja solucionada.
Outrossim, destaca-se o modo em que o romance é desenvolvido de maneira a convencer o telespectador sobre o amor como método de resolução de situações caóticas. Sob esse ponto de vista, a série “American Horror Story”, retrata como a personagem Violet aceita namorar Tate, um psicopata assassino, uma vez que se encontra apaixonada por ele. Nessa ótica, é possível depreender que, uma vez que o sentimento amoroso esteja presente, qualquer violação dos direitos humanos pode ser esquecida, o que influencia no cidadão que assiste a esses conteúdos, levando-o a acreditar na romantização de conexões humanas abusivas.
Portanto, é indispensável que esse tema seja combatido. Por isso, é dever do Ministério da Cultura, por meio de campanhas, especificamente em redes sociais, debater sobre o tópico citado, com a finalidade de evitar que os brasileiros se envolvam em situações como as exemplificadas. Além disso, é responsabilidade do Estado, por intermédio de financiamento, distribuir livros de autoajuda que auxiliem o leitor na identificação de sinais abusivos em seus relacionamentos interpessoais, com o objetivo de auxiliar os brasileiros a formar conexões somente com pessoas saudáveis, o que diminuirá a influência da mídia na vida social.