Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares

Enviada em 14/10/2024

No filme “Cinquenta tons de cinza”, a protagonista sofre com constantes abusos físicos e psicológicos do seu companheiro, reproduzindo, constantemente, a condição de submissão da mulher. Nesse contexto, observa-se que as séries e os filmes modernos estão fortalecendo a romantização de relacionamentos abusivos e tóxicos entre os casais. Dessa maneira, faz-se imperioso analisar os fatores que favorecem para esse quadro: Influência midiática e negligência estatal.

Em primeiro plano, deve-se destacar que a mídia age em prol dos seus interesses, o que reflete no silenciamento aos relacionamentos abusivos. Nessa lógica, o pensador da escola de Frankfurt, Theodor Adorno, definiu o meio comunicativo como uma “Industria cultural” capaz de produzir comportamentos nas pessoas do corpo social. Dessa forma, a ausência de informação e comunicação sobre os danos de um relacionamento violento proporciona a perpetuação desses tipos de casais doentios.

Ademais, a ausência de medidas governamentais é propulsionadora do problema no Brasil. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, fere o “Contrato social”, já que o governo não cumpre com seu papel de garantir o respeito a dignidade da pessoa humana em todas as situações. Nesse raciocínio, nota-se que o Estado é negligente e apático quanto ao investimento de recursos para solucionar os abusos sofridos nos relacionamentos. Logo, como consequência, o número de casos de pessoas que sofrem em uma união conturbada aumenta a cada dia.

Portanto, para solucionar essa problemática, o Poder Legislativo, responsável pela elaboração das leis no território nacional, deve elaborar normas que coíbam o tratamento desumano em uma relação, a fim de diminuir os casos de violência entre os casais. Paralelamente, a mídia de massa precisa incluir em sua programação nobre, programas de conscientização sobre o respeito ao próximo e limites para um relacionamento saudável. Assim, será possível romper com o ciclo vicioso de estímulo a violência propagado diariamente pela televisão.