Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares

Enviada em 14/10/2024

Em 1948, a Organização das Nações Unidas promulgou uma das leis mais relevantes da história recente: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo garante a dignidade, a segurança e o bem-estar. Todavia, a romantização de relacionamentos abusivos nas mídias populares representa um obstáculo para garantir os direitos assegurados pela ONU. Assim, há de se combater o silenciamento social e a omissão estatal.

Diante desse cenário, Jean-Paul Sartre afirma, em sua obra “O ser e o Nada”, que existe um conceito conhecido como “Acomodação Social”, segundo o qual há temas banidos do debate coletivo. Sob o raciocínio de Sartre, a discussão sobre a influência da mídia na percepção distorcida do amor e dos relacionamentos, embora seja relevante, não recebe a devida importância. Tal negligência prejudica a sociedade — sobretudo os jovens — ao criar uma visão romantizada que minimiza a gravidade das relações abusivas, a qual motiva a normalização de comportamentos agressivos.

Ademais, Norberto Bobbio — expoente filósofo italiano — afirma que as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua deles na prática. No entanto, apesar de a legislação assegurar o bem-estar e a dignidade da sociedade, a falta de iniciativas estatais nas escolas sobre os direitos fundamentais do indivíduo reflete a omissão que contraria os princípios defendidos por Bobbio. Essa carência é evidenciada pela ausência de conscientização nas escolas, que desmistifica a percepção distorcida dos jovens sobre o amor.

É urgente, portanto, que o Estado e as escolas — responsáveis pela transformação social — contribuam para conscientizar a população sobre a romantização das relações abusivas na mídia, por meio de ações comunitárias, como palestras sobre educação emocional voltadas para os jovens. Além disso, o governo deve implementar grades curriculares que abordem os direitos essenciais dos indivíduos. Essas iniciativas terão a finalidade de desmistificar a percepção distorcida dos jovens sobre o amor e garantir que os direitos da ONU sejam, em breve, a realidade no país.