Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 18/10/2024
Na série “You”, o personagem principal é retratado como um indivíduo obcecado por uma moça, característica essa que sempre o leva à prática da violência. Analo-gamente, fora da ficção, nota-se que, no Brasil hodierno, dinâmicas conjugais simi-lares se repetem, visto que os conteúdos culturais, como o seriado acima, as incen-tivam. Sabendo disso, a fim de combater essa romantização, deve-se analisar suas causas: a tentativa de suavizar a opressão e a perpetuação do machismo.
Diante desse cenário, evidencia-se um nexo causal entre o desejo de abrandar a percepção sobre as intereções agressivas e a problemática discutida. A respeito disso, de acordo com o conceito frankfurtiano de indústria cultural, as ferramentas midiáticas de massa, como séries e filmes populares, propagam a ideologia da do-minação, que tem como objetivo justificar as ações dos mais poderosos. Dialetica-mente, o livro “Vigiar e Punir” de Foucault, afirma que as microviolências, muito presentes nos relacionamentos abusivos, também sofrem a normalização por par-te do mecanismo sociocultural supracitado. Nesse raciocínio, compreende-se a motivação dominatória por trás da exaltação do modelo conjugal em questão.
Ademais, é pertinente apontar a discriminação contra os indivíduos femininos co-mo um catalisador do processo em discussão. Perante essa alegação, com base na explicação de Engels sobre a gênese familiar, sabe-se que o preconceito de gênero surge juntamente com a exploração dos mecanismos reprodutivos da mulher, es-senciais para a manutenção da sociedade. Seguindo essa lógica, essa estruturação da realidade social, intuindo a própria sobrevivência, busca, juntamente com a replicação de novos organismos humanos, multiplicar o imaginário misógino por meio das obras culturais, como as de cunho cinematográfico. Logo, deduz-se que o paradigma machista alimenta a romantização da subjulgação do parceiro feminino.
Em suma, infere-se que a idealização dos relacionamentos tóxicos demonstra u-ma grave crise. Dito isso, cabe ao Estado, encarregado pela mediação entre as re-lações civis, regulamentar os conteúdos socialmente nocivos, por meio da apu-ração analítica, objetivando atenuar os efeitos maléficos da Indústria cultural. Além disso, é dever do mesmo ente desconstruir o ideário machista presente na socieda-de, por intermédio da veiculação de documentários. Assim, a reduzir-se-á a crise.