Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares

Enviada em 21/10/2024

Obras cinematográficas como “A Bela e a Fera” são considerados filmes de ro-mance e mostram os protagonistas como um bom parceiro, apesar dos deslizes e equívocos que ocorrem durante a relação, levando o público a torcer por uma uni-ão final.No entanto,relacionamentos abusivos não estão presentes apenas na fic-ção, ocorrendo na realidade de muitos lares, onde são minimizados como ocorre em filmes e séries famosos por grande parte da população. Nesse contexto, a natura-lização da violência através da influência da mídia e a consequente demora em reconhecer um relacionamento abusivo são fatores de importante discussão.

Em primeiro lugar, vale analisar a naturalização da violência por influência da mídia no cotidiano. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o sujeito incorpora pa-drões impostos à sua realidade, os naturaliza e reproduz.Sob tal ótica, ao romanti-zar relacionamentos abusivos, a mídia influencia de forma subjetiva a visão de mundo dos indivíduos, mostrando qual é o padrão ideal. Dessa maneira, milhares de pessoas, principalmente adolescentes que ainda estão em formação, enxergam sinais de abuso tais como pedir a localização constantemente, fotos para compro-var onde está e perseguição para conseguir consolidar o relacionamento como cuidado, permanecendo nesses vínculos por mais tempo.

Com isso, ocorre a demora em reconhecer um relacionamento abusivo. De a-cordo com o Data Senado, 33% das mulheres já sofreram agreção física ou psico-lógica em todo o território nacional. Nesse sentido, o Brasil conta com um número massivo de mulheres que persistem no casamento ou namoro, por dependência e-mocional e não conseguem se enxergar como vítimas para assim sair do relacio-namento. Logo, muitas continuam com seus parceiros sofrendo no silêncio e acre-ditando que vai ser só uma fase como nos filmes e séries.

Fica evidente, portanto, a gravidade de romantizar tais relações. Sendo assim, urge que as secretarias municipais, por meio de verba pública, criem mais delegaci-as da mulher, especialidades em acolher e proteger as vítimas e em conjunto com o Ministério das Cultura, crie campanhas vinculadas ao final de filmes e séries a fim de conscientizar sobre os principais sinais de abusos. Para que assim, mulheres e homens se conscientizem e não romantizem e nem perpetuem violências.