Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 22/10/2024
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 5º, o direito à igualdade de genêro como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, especialmente quando se observa a romantização de relacionamentos abusivos nas mídias voltadas para o público feminino, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, a omissão estatal e o silenciamento midiático são fatores que favorecem esse quadro.
Nesse sentido, em primeira análise, cabe ressaltar a carência de ações governamentais como impulsionador do problema no Brasil. Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado garantir direitos sociais indispensáveis como o direito à segurança. No entanto, meninas e mulheres são expostas continuamente à filmes, músicas, séries e livros com viés deturpardo, responsáveis por alienar elas e santificar figuras masculinas, dificultando a segurança e bem-estar delas nos relacionamentos contemporâneos. Assim, é urgente resolver essa conjuntura.
Ademais, é fundamental apontar o silenciamento midiático como impulsionador da problemática. De acordo com o filósofo Sartre “Toda palavra tem consequências, todo silêncio, também”. Nesse sentido, essa frase sintetiza a pouca ação da mídia brasileira, que se recusa a conscientizar o público feminino e expor, pertinentemente, os efeitos negativos de materiais machistas na vida delas. Dessa forma, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, urge a necessidade de intervir sobre a situação. Para isso, o governo deve reduzir a ocorrência de relacionamentos abusivos, por meio da criação de leis. Tal ação pode, ainda, desenvolver palestras em escolas, campanhas publicitárias e aumentar o número de canais de denúncias de violência às mulheres, a fim de mitigar os efeitos do machismo na sociedade. Paralelamente, é preciso atenuar as causas da ineficiência midiática presente na conjuntura. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Carta Magna.