Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 30/10/2024
Nos poemas Árcades, pioneiros da Arte Medieval, o eu-lírico romantiza o sofrimento amoroso pela impossibilidade de estar com sua amada. Analogamente, nos dias de hoje, a romantização de relacionamentos abusivos se convergeu nas teledramaturgias as quais, frequentemente, propaga valores tóxicos a sociedade. Dessa forma, cabe analisar as duas principais vertentes que fomentam a problemática: a forte influência da indústria midiática e a banalização desse mal em decorrência da passividade comportamental dos sujeitos.
Cabe destaque, sobretudo, o papel da mídia na espetacularização do sofrimento amoroso. Em outras palavras, segundo a filosofia alemã - atrelada ao conceito de Indústria Cultural - a instituição midiática é responsável por controlar pensamentos e comportamentos sociais. Sob esse prisma, observa-se que, hodiernamente, as séries e filmes populares constrõem relacionamentos fictícios conturbados, com o fito de prender a atenção do telespectador mediante as reviravoltas emocionais. Contudo, esse cenário manipula o comportamento público na medida em que “glamouriza” o sofrimento amoroso, manejando equivocadamente as instabilidades socioafetivas a um patamar idealizado, provocando frustrações.
Consequentemente, a popularização de comportamentos abusivos nas relações tende a permanecer intrisecamente ligada à realidade do país. Isso porque, segundo a estudiosa judia Hannah Arendt, também alemã, a Banalização do Mal na sociedade decorre da passividade dos indivíduos perante atitudes que ferem sua saúde mental. Nessa ótica, sob essa alegação, o público-alvo feminino tende a normalizar atos de violência devido às expectativas irreais da indústria cinematográfica, o que comprova a teoria exposta pela pensadora germânica.
Com isso, nota-se a romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares. Portanto, cabe ao TCU (Tribunal de Contas da União) o investimento em instituições como o Ministério da Educação - órgão responsável pelo desenvolvimento educacional da população. Para tanto, isso pode ser feito por meio de incentivos fiscais a palestras que discorrem acerca das relações abusivas e como identificá-las, com o objetivo de resgatar a mulher do seu estado de passividade e limitar a influência da mídia na propagação de cenários tóxicos.