Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares
Enviada em 02/11/2024
Na obra “A República”, o filósofo Platâo idealiza Kapollis, uma cidade livre de confitos e problemas, na qual a cidadania plena é um direito universal. No entanto, dois milênios apoós a formulação da utopia platônica, a romantização de relacionamentos abusivos em televisões ainda representa um obstáculo à efetivação de um tecido social justo e equilibrado. Com isso, emerge um problema, devido a negligência estatal e a inércia midiática.
Em primeiro plano, é imprescindível destacar a desassistência do Poder Público como fator agravante desse quadro. Nesse sentido, o filósofo Thomas Hobbes, em seu livro “O Leviatã”, aborda que o governo - representado por um monstro marinho - não cumpre com o “contrato social”, uma vez que o o estado não realiza sua função de garantir a paz e harmonia na sociedade. Essa conjuntura é vista na realidade dos filmes e séries, de modo que as mulheres normalizam relacionamentos abusivos em programas populares e, por consequência, acabam por adentrar em tal relacionamento idealizado. Assim, urge que a administração pública reconheca seu papel e mude sua postuora.
Ademais, a permanência da omissão midiática acentua a romantização da coleção televisiva. Desse modo, Chimanda Adichie defende que a mudança do “status quo” - o estado das coisas - é sempre penosa. Tal conjuntura está presente nas publicações de marketing em plataformas digitais, uma vez que os memos utilizam cenas de agressões físicas e psicológicas que prendem a atenção dos indivíduos, e faz com que as pessoas queiram sentir a necessidade de possuir um relacionamento abuusivo. Dessa forma, é preciso combater a influência midiática para superar o problema.
Portanto, é indispensável intervir sobre esse cenário. Para isso, a mídia, encarregada de transmitir informações, deve, por meio de plataformas digitais, apresentar os impactos de um relacionamento abusivo para a saúde mental, a fim de conscientizar e alertar as pessoas das consequências de um vínculo opressivo.