Romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares

Enviada em 17/06/2025

A Constituição de 1988 afirma que o direito a segurança é uma prerrogativa básica de todo cidadão. Entretanto, quando se avalia a romantização de relacionamentos abusivos em séries e filmes populares, infere-se que inúmeras pessoas podem estar com esse direito comprometido. Assim, é relevante dissertar sobre as consequências que essa falsa realidade pode trazer.

Em primeira análise, inúmeros filmes relativizam e criam uma percepção falsa de que uma pessoa tóxica e perseguidora com outra faz isso por amor. A Novela O Cravo e a Rosa mostra um homem que destrata a mulher e a humilha de todas as formas, além de traí-la e a levar para lugares a força. Não só isso, como chega a agredir a esposa em diversas ocasiões. No entanto, a forma como a dramatização é colocada para o público, cria uma distorção a respeito do tratamento do marido para com a esposa (visto como algo normal ou romântico) . Como consequência desse cenário, os casos de violência doméstica tendem a aumentar, já que o comportamento maléfico é visto como algo romantizado.

Ademais, é importante mencionar situações em filmes (que envolvem crimes propriamente ditos) como o que um dos personagens chega a sequestrar a vítima e a manter em carcere privado. No Filme a Bela e a Fera, a vítima (apesar de ser mantida presa no castelo) chega a desenvolver a Sindrome de Estocolmo e, no fim se apaixona pelo seu sequestrador, essa conjuntura é colocada para o telespectador como um grande caso de amor. Desse modo, percebe-se que diversos filmes e séries romantizam esse tipo de comportamento, e prejudicam demasiadamente o combate a relacionamentos tóxicos ou perigosos.

Mediante os fatos apresentados, depreende-se a adoção de medidas para amenizar esse quadro. O Ministério da Cultura precisa fazer convênios com emissoras e mostrar ( em rede nacional) documentários sobre relações que envolvam romantização de relacionamentos abusivos e traçar paralelos com casos de crimes reais. Não só isso, como promover em escolas, palestras que identifiquem situações de violência na relação, além da disseminação de informações sobre procedimentos de violência contra a mulher. Essas medida vão contribuir exponencialmente para o desfrute mais eficaz do direito a segurança.