Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 30/07/2020
De acordo com o sociólogo sul-coreano Byung Chun Han, vive-se, no século XXI, uma sociedade do desempenho/ cansaço. Isso significa que o sistema vigente age forçando cada pessoa atingir um alto grau de excelência em todas as esferas de sua vida: profissional, social, familiar e religioso. Portanto, esse excesso de preocupação, associado ao excesso de esforço, gera o “cansaço”, responsável por fazer com que os indivíduos se sintam incapazes e inferiores, culminando em diversos casos de depressão e outros transtornos psicológicos. Dessa forma, embora erroneamente negligenciado por várias pessoas, o cuidado com a saúde mental se faz, cada vez mais, importante.
Entre os fatores que causam essa inadvertência com os cuidados com a mente, destaca-se a falta de tempo dos indivíduos, que acabam julgando que outras coisas são mais importantes e que, por isso, podem deixá-los para depois. Outrossim, muitas pessoas consideram, equivocadamente, que a adversidade psicológica é causada por a pessoa ser “fraca”, por não aguentar a pressão dos problemas da sua vida. E essa situação ainda piora, devido a herança de uma mentalidade dos séculos passados que julgava as pessoas com problemas psíquicos como “loucas”, sendo tratadas, muitas vezes, como animais. Logo, muitos indivíduos não buscam tratamento por vergonha e medo de uma possível retaliação da sociedade, havendo, dessa forma, a necessidade do combate a esses preconceitos que impedem o tratamento da saúde mental.
Essa importância do autocuidado com o bem estar psicológico é explicitada no curso do filósofo e professor da Unicamp, Leandro Carnal, “Felicidade Sem Fórmula”, que mostra que um dos grandes causadores da infelicidade é a dificuldade das pessoas reconhecerem suas qualidades e de aceitarem suas limitações pessoais. Portanto, esse mesmo autor relata o quão essencial é a pratica de atividades de autoconhecimento, como terapias acompanhadas por psicólogos, yoga, meditação e esportes. Dessa maneira, explica-se o porquê dos países com maior FIB (Felicidade Interna Bruta) serem, também, as nações em que seus habitantes mais têm acesso à profissionais responsáveis pelo cuidado da mente e mais praticam esportes.
Frente ao exposto, o autocuidado é muito importante. Portanto, para que se diminua os preconceitos relacionados à saúde mental, o Ministério da Saúde, em parceria com o MEC, deve criar um programa que mostre aos jovens que tratar das anomalias psíquicas é tão normal quanto tratar uma doença “tradicional”. Essa conscientização será feita por meio da instituição da obrigatoriedade de os alunos, frequentemente, participarem de consultas com psicólogos da escola, resultando, no longo prazo, no sentimento de que esse tipo de terapia é normal.